Correa obtém triunfo arrasador em referendo constitucional

Fernando Arroyo León Quito, 29 set (EFE).- O presidente equatoriano, Rafael Correa, colheu um triunfo arrasador no referendo realizado hoje em seu país, segundo as pesquisas de boca-de-urna, que atribuem entre 66% e 70% da votação a favor da nova Constituição impulsionada por ele.

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Correa, um economista de esquerda que chegou ao poder em janeiro de 2007 com a promessa de levar adiante uma transformação "radical, profunda e rápida", derrotou a oposição, que ainda se agarra à possibilidade de impedir sua vitória em Guayaquil, a cidade mais populosa do Equador.

Segundo uma pesquisa de boca-de-urna da empresa Cedatos, o voto pelo "sim" à nova Constituição obteve 70% dos votos, enquanto o "não" da oposição alcançou apenas 25%, os votos nulos somaram 4% e os votos em branco 1%.

A firma SP Investigación y Estudios, por sua vez, atribuiu ao "sim" 66%, ao "não" 25%, ao voto nulo 6,2% e ao voto em branco 2,4%.

A organização Participación Ciudadana, habilitada pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) para efetuar uma apuração rápida de votos nas juntas eleitorais, projetou que o "sim" obteve 63,2%, o "não" 28,6%, o voto nulo 7% e o voto em branco 1%.

O TSE prevê anunciar amanhã os resultados preliminares oficiais, com base na apuração das atas das mesas eleitorais.

Correa agradeceu ao povo equatoriano por ter apoiado de forma arrasadora a nova Constituição, vitória que se soma às que obteve nas eleições presidenciais de novembro de 2006 e a do plebiscito para a Assembléia Constituinte, em abril de 2007.

Além disso, no pleito de setembro desse mesmo ano, para integrar a Assembléia Constituinte, seu movimento, o Aliança País, alcançou 80 dos 130 cadeiras.

A única dúvida que resta sobre a arrasadora vitória de Correa é a de Guayaquil onde, segundo as pesquisas, o "sim" obtém 44,8% e o "não" 49,9%, mas não chega a somar uma maioria absoluta, argumento que a oposição defende para argumentar que nessa cidade a Constituição governista não triunfou.

No entanto, o ministro de Governo (Interior), Fernando Bustamante, pediu para se esperar os resultados oficiais do TSE.

Segundo Bustamante, as pesquisas não levaram em conta a vontade dos chamados indecisos, ou seja, 30% dos eleitores, que poderiam ter decidido seu voto no final do processo e inclinar a balança nos resultados finais.

De toda maneira, Correa, com a vitória garantida, abriu a possibilidade de abrir uma porta de diálogo com o prefeito opositor de Guayaquil, o social-cristão Jaime Nebot.

"A nova Constituição venceu arrasadoramente. É um momento histórico que transcende por muito as pessoas que estiveram mais visíveis neste processo que é de todo um povo", disse Correa.

Mas, para Correa, esta vitória não é um ponto de chegada, mas de partida, pois insistiu que sua administração será uma permanente campanha contra o passado.

Está previsto para o primeiro trimestre do próximo ano a realização de eleições gerais com o novo marco jurídico, nas quais próprio Correa participará que, por enquanto, aparece como uma figura invencível nas urnas.

Seu movimento, o Aliança País, já antecipou que Correa será seu candidato e convocou as forças progressistas para cerrarem fileiras em torno dele, para impedir qualquer possibilidade de que os grupos de direita retornem ao poder.

Correa, no entanto, lembrou que sua nova nomeação dependerá das decisões que seu movimento assumir, no marco de um acordo nacional com outras forças progressistas do país. EFE fa/ma

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