Quito, 9 jul (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, lamentou hoje que a ex-candidata presidencial franco-colombiana Ingrid Betancourt, resgatada na semana passada das mãos das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), tenha justificado a operação do Exército colombiano contra um acampamento dessa guerrilha em território equatoriano no dia 1º de março.

Nessa data, tropas colombianas atacaram um acampamento clandestino que as Farc tinham construído na floresta amazônica equatoriana.

Morreram nessa operação pelo menos 26 pessoas, entre elas o "número dois" das Farc, Raúl Reyes.

O ataque gerou uma forte reação de Correa, que rompeu relações diplomáticas com a Colômbia e assegurou que a operação tinha "frustrado" uma tentativa de libertação de reféns das Farc, entre eles Betancourt.

"Sentimos uma dor profunda com as palavras de Ingrid Betancourt, que justificou o bombardeio traidor, o bombardeio desleal que nossa pátria sofreu no dia 1º de março por parte do Governo colombiano", disse Correa, durante um festival realizado em Quito em homenagem aos emigrantes.

"Entendemos o sofrimento pelo qual Ingrid Betancourt passou em seis anos de cruel prisão, de cruel privação de sua liberdade. E ficamos muito alegres com sua liberdade", acrescentou Correa, que, no entanto, assegurou que não se pode justificar a agressão ao território equatoriano.

O presidente equatoriano, que não precisou as declarações de Betancourt nem onde elas teriam sido publicadas, reiterou que ninguém pode justificar o ataque contra seu país.

"Ninguém pode justificar a agressão contra nossa pátria do dia 1º de março de 2008 por parte de um Governo que não conhece os princípios elementares do direito internacional", afirmou. EFE fa/mh

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