Correa ironiza os temores pela liberdade de imprensa no Equador

O presidente do Equador, Rafael Correa, classificou nesta quinta-feira de uma tremenda besteira o receio de alguns setores da sociedade pela liberdade de imprensa no país, depois da intervenção em três canais de televisão.

AFP |

"Agora apreender os bens de banqueiros que quebraram o país, embora continuem prósperos, é ameaçar a liberdade de expressão!", ironizou Correa visivelmente aborrecido com as críticas nesse sentido dos jornais e opositores.

"Quem pode dizer essa tremenda besteira?", questionou ainda.

A Associações de jornalistas do Equador pediram na véspera que o governo dê garantias de liberdade de expressão à imprensa após a intervenção em três canais de televisão, que pertenceriam a ex-banqueiros com uma dívida de 661 milhões de dólares com o Estado.

A Federação de Jornalistas do Equador e o Colégio de Jornalistas de Quito exigiram o respeito à liberdade de expressão e de imprensa e o cumprimento dos direitos trabalhistas dos funcionários das emissoras, além de eficiência por parte da nova administração.

Entretanto, a federação considerou legal o embargo de cerca de 200 bens dos ex-banqueiros Roberto e William Isaías ordenados na terça-feira pela Agência de Garantia de Depósitos (AGD, estatal), entre os quais constam várias empresas de comunicação.

As organizações de jornalistas também expressaram sua preocupação com o "tratamento informativo que está sendo dando a este acontecimento, sem as contextualizações do caso nem a profundidade que merece, quando se faz referência à liberdade de expressão e de imprensa".

Os ex-diretores dos canais Gamavisión, TC Televisión e Cablevisión argumentam que o confisco atenta contra a liberdade de expressão ao tomar o controle dos meios com o apoio da Polícia.

Segundo a AGD, os prejuízos deixados pelo Filanbanco, de propriedade dos irmãos Isaías - que fugiram para os Estados Unidos - chegam a 661 milhões de dólares.

O governo do Equador descartou a estatização dos três canais de televisão, embora o caso esteja sendo levado para cortes internacionais pelos afetados, que classificam a ação de "embargo político" para amordaçar a imprensa em período pré-eleitoral.

SP/ap/cn

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG