Correa investe contra imprensa no Equador

O presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou neste sábado uma drástica auditoria sobre as frequências concedidas pelo Estado aos meios de comunicação, durante seu programa semanal de rádio.

AFP |

"Vamos investigar, agir com toda a firmeza, há uma corruptela total e estamos dispostos a corrigir isto", assinalou o presidente.

Segundo Correa, as frequências de rádio e TV têm sido terrivelmente "mal entregues e mal exploradas", e em vários casos houve tráfico de influência ou "irregularidades".

"Estejam preparados, porque vamos lutar contra a corrupção, limpar tanta sujeira que tem deixado a politicagem de sempre. Já sei que vão dizer que é um atentado contra a liberdade de expressão".

Correa prometeu agir com "toda a força da lei, sem importar o custo" ou as reações que possa gerar na Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP).

O presidente disse que em breve divulgará os resultados de um relatório do Conselho Nacional de Radiodifusão e Televisão com "coisas realmente horríveis" sobre o uso das frequências.

O atual governo promoveu uma reforma constitucional - aprovada em referendo - que proíbe aos banqueiros possuir meios de comunicação.

No momento, Correa controla dois canais de TV tomados de um grupo financeiro acusado de desfalque.

O presidente equatoriano, que já foi criticado várias vezes pela SIP por "sua hostilidade" com a imprensa, garante que no Equador existe plena liberdade de informação.

A decisão de Correa é anunciada dois dias após a polícia da Venezuela invadir a casa de Guillermo Zuloaga, presidente do canal de televisão Globovisión, que mantém uma linha editorial contrária ao governo do presidente Hugo Chávez.

A batida policial foi precedida de duros ataques de Chávez à Globovisión, que o presidente chamou de TV "terrorista", que "viola a Constituição" e "incita ao ódio".

A operação encontrou diversos carros de luxo, que segundo a polícia não tinham documentos, versão rejeitada por Zuloaga.

Há dois anos, Chávez não renovou a licença da RCTV, que fazia clara oposição a seu governo, tirando do ar o canal mais visto na Venezuela.

vel/LR

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