Quito, 10 ago (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, reiterou hoje sua rejeição ao possível uso de bases militares na Colômbia por soldados americanos e denunciou uma dupla moral sobre o tema, em seu discurso de posse para um segundo mandato na Presidência.

Correa dedicou parte de seu discurso de posse ao acordo entre a Colômbia e os Estados Unidos, em fase de negociação, para um uso partilhado de até sete bases militares em território colombiano, um assunto que dominou a cúpula da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), realizada hoje em Quito.

Também falou sobre suas diferenças com o Governo de Álvaro Uribe, motivo pelo qual as relações entre o Equador e a Colômbia estão quebradas desde março de 2008.

"Se a Colômbia nos diz agora que o uso das bases militares é um problema estritamente colombiano, eu qualifico como uma dupla moral", afirmou Correa, antes de se perguntar "por que não se diz o mesmo sobre os programas nucleares de países classificados como hostis a certos centros de poder?".

"Simplesmente porque ali os ameaçados são eles, enquanto aqui os ameaçados somos somente latino-americanos", respondeu a si mesmo o líder, que foi interrompido pelos aplausos dos presentes à cerimônia oficial de posse.

Em seu discurso, Correa desejou que esse acordo não fortaleça "a política de guerra" e que ele não se dirija contra "os Governos insurgentes" da América, em vez de contra o narcotráfico, alvo declarado pelos EUA e pela Colômbia.

Correa ressaltou que a possível utilização de bases militares colombianas por "forças estrangeiras" afetaria todo o continente.

"Levantamos claramente nossa voz de protesto a esta situação, mas não se preocupem, apesar de toda a inquietação, os homens livres de nossa América vencerão os mensageiros do imperialismo", disse.

Mencionou a "nova disputa midiática internacional" e a "hipocrisia" com a qual diversos meios internacionais apontam uma suposta relação de seu Governo com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Em seu discurso, Correa se perguntou se o mundo já se esqueceu "dos bombardeios colombianos com na fronteira norte, pisoteando qualquer sentido de boa vizinhança" ou o bombardeio do dia 1º de março de 2008 "atentando contra todo direito internacional", que causou a ruptura das relações entre os dois países.

Também destacou a pouca presença do Exército colombiano na zona de fronteira com o Equador e o amparo de seu Governo aos refugiados e deslocados do país vizinho.

"Não esperamos palmas por isso, mas também não gostamos de tanta ingratidão e cinismo", assinalou.

"Nós queremos que o mundo inteiro entenda que os problemas de guerrilha, de paramilitarismo, de narcotráfico, de cultivo de coca, de incapacidade de controlar o território nacional, de narcopolítica não estão no Equador, mas na Colômbia", afirmou, enfaticamente.

Além disso, assegurou que se seu Governo aceitasse bases militares em seu território ou se envolvesse no Plano Colômbia contra o narcotráfico passaria de "amigo das Farc" a "estadista e democrata modelo da América Latina".

"Esse é o problema: não nos deixar domesticar. Isso nunca vai acontecer, não se preocupem, prefiro o risco de ser livre à nefasta solvência dos servis", acrescentou, diante de centenas de convidados, na sede da Assembleia Nacional em Quito. EFE ic/pd

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.