Correa e Chávez aprofundam projetos de soberania alimentar e siderúrgica

Fernando Arroyo León. Puyo (Equador), 28 out (EFE).- Os presidentes do Equador, Rafael Correa, e da Venezuela, Hugo Chávez, lideraram hoje uma reunião de avaliação dos projetos entre ambos os países e se comprometeram a aprofundar os programas conjuntos em áreas como a soberania alimentar, a agroecologia e a construção de uma siderúrgica.

EFE |

Os líderes se reuniram na cidade de Puyo, no centro da Amazônia equatoriana, onde passaram em revista os projetos nas áreas energética, viária e financeira que desenvolvem há mais de um ano.

Os dois governantes também aproveitaram o encontro para criticar o sistema capitalista e sugerir a integração regional como meio de enfrentar a situação da economia mundial.

Correa e Chávez não hesitaram em convocar seus colegas latino-americanos para aderirem a projetos como o Banco e o Fundo do Sul, como forma de protegerem suas economias dos impactos da crise financeira.

Chávez reivindicou uma nova ordem internacional e pediu para que o dólar seja deixado de lado nas transações regionais, sugerindo, ao mesmo tempo, a criação do "sucre", uma moeda regional, cujo nome evoca o venezuelano Antonio José de Sucre, um dos símbolos da luta pela independência do país.

Por sua vez, Correa classificou o capitalismo como um "sistema perverso" que está prestes a afundar, e exigiu que a região compreenda que agora a integração é uma "necessidade de sobrevivência".

Ao finalizar a reunião, as equipes de ministros de ambos os países, que também participaram da reunião, assinaram dez acordos e termos de entendimento para fortalecer a relação bilateral.

No que se refere à soberania alimentar, foram assinados memorandos de entendimento para o desenvolvimento de processos agroecológicos e mecanismos de cooperação em matéria pesqueira, no setor alimentício e na comercialização de alimentos.

Na área de infra-estruturas, foi assinada uma carta de intenção para a preparação de um projeto com vistas à construção de uma indústria siderúrgica na província litorânea de Guaias, no sudoeste do Equador, a um custo de US$ 890 milhões.

Em relação à "soberania do conhecimento", ambos os países assinaram acordos para a elaboração de um projeto sobre a criação da Escola de Planejamento e Governo do Sul.

Além disso, as partes acertaram criar mecanismos para o financiamento de projetos de interesse binacional, de programas de cooperação entre instituições de ambos os países e de iniciativas dirigidas a apoiar unidades de produção social e pequenas e médias empresas.

Para avaliar o andamento das relações bilaterais, os dois presidentes devem se reunir dentro de dois ou três meses na Venezuela.

Depois da reunião de trabalho, Correa e Chávez foram ao encontro da população de Puyo, ocasião em que voltaram a prometer um maior esforço para fortalecer as relações binacionais, em função de um desenvolvimento mais igualitário e justo.

Além disso, ambos os governantes reiteraram suas críticas ao sistema capitalista e disseram que a América Latina caminha rumo à sua independência do capital financeiro internacional em crise.

"Chegou a hora da independência definitiva da América Latina", disse Chávez em um complexo esportivo tomado por dezenas de milhares de habitantes da região.

"Nós somos uma só pátria", acrescentou o venezuelano, que aproveitou o ato para manifestar seu apoio a Correa, ao parabenizá-lo por ter triunfado no referendo constitucional de 28 de setembro, quando a maioria da população aprovou a Carta Magna promovida pelo governante equatoriano, que, para alguns, carrega nas tinturas socialistas. EFE fa/sc

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