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Correa diz que Uribe teve sorte na libertação de Betancourt

Quito, 14 jul (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, acredita que o governante colombiano, Álvaro Uribe, teve muita sorte na libertação de Ingrid Betancourt, ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), segundo uma entrevista publicada hoje pelo jornal El Telégrafo.

EFE |

Ele disse que ficou feliz pelo resgate de Betancourt, que estava há quase seis anos em cativeiro, mas que não felicitou Uribe, porque ele não acredita "em tramas de novelas".

"Em boa hora foi libertada uma mulher que poderia ter sido solta antes se tivesse havido um pouco mais de sensibilidade do Governo colombiano", disse.

Correa acrescentou que é "professor de Economia para a tomada de decisões. Sei bem que um resultado positivo não necessariamente é fruto de uma decisão correta, mas de ter boa sorte".

"O que teria acontecido se todos os reféns e os soldados que iam ao resgate de Betancourt tivessem morrido, quais teriam sido as manchetes?", questionou.

"Graças a Deus, tudo correu bem, mas foi mais por boa sorte do que por boa decisão. Em todo caso, muito bom para a Colômbia, por Ingrid, pelo Governo de Uribe", destacou Correa, que em 3 de março rompeu relações diplomáticas com a Bogotá pela violação territorial colombiana registrada dois dias antes.

Consultado sobre se aceitaria que Betancourt intermediasse entre Quito e Bogotá, disse: "Ela é livre de fazer o que quiser, mas os problemas são mais fundos".

O presidente equatoriano afirma que o país foi "desprezado sistematicamente" pelo Governo da Colômbia.

Por isso, "enquanto não houver uma mudança substancial no comportamento do Governo colombiano, não retomaremos relações", destacou.

Correa atribui a popularidade de Uribe às Farc.

"Realmente é difícil entender as Farc. Jamais compartilhamos seus métodos. Mas, mesmo supondo que lutem pela justiça social e contra um Governo que eles consideram antidemocrático como o Governo de Uribe, suas ações fazem com que sejam os principais apoios do Governo de Uribe", afirmou.

Quanto a pedir que Uribe preste contas perante um tribunal, respondeu: "Estamos esgotando todas as instâncias como diz o direito internacional", mas ressaltou que não houve resposta e que, nessas instâncias, o Governo equatoriano é tratado "com muito desprezo".

Para Correa, "a luta antinarcóticos substituiu a luta antisubversiva na América Latina. Todos os métodos que antes se usavam para combater a subversão agora são usados para combater o narcotráfico, por isso temos infiltração em nossos países".

"Eu acho que se a Casa Branca pudesse fazer golpes de Estado, faria, como tentou em abril de 2001. O problema é que não pode fazer", disse.

O presidente equatoriano também falou sobre as eleições nos EUA.

Segundo ele, se os democratas vencessem, "muito provavelmente haverá mudanças substanciais", mas se forem os republicanos, o Plano Colômbia continuará, "pois (o candidato republicano John) McCain o seguirá com mais força".

Sobre suas relações com John McCain se esse vencer as eleições, Correa respondeu: "Se nos respeitar, o respeitaremos" e acrescentou que acredita que "é um tipo mais preparado que Bush, mas muito mais duro também".

Correa disse que sua relação com o chefe de Estado venezuelano, Hugo Chávez, é "fraterna", e sobre a aproximação desse com Bogotá, destacou que "Venezuela é um país soberano" e agradeceu pelo apoio a Quito na crise diplomática com a Colômbia. EFE sm/db

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