Correa diz que decide futuro da Odebrecht nos próximos dias

O presidente do Equador, Rafael Correa, voltou a afirmar na noite desta terça-feira que a Odebrecht aceitou as exigências de seu governo para continuar operando no país, mas advertiu que a permanência ou não da empreiteira brasileira no Equador será decidida nos próximos dias. Correa disse que, por enquanto, a decisão de encerrar todos os contratos da construtora, que totalizam US$ 650 milhões, está mantida.

BBC Brasil |

"A decisão se mantém. A Odebrecht está fora do país", afirmou Correa em entrevista coletiva, logo depois de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Manaus.

"Nós não estamos negociando, estamos exigindo justiça e que se cumpram estritamente os direitos do país", acrescentou.

Procurada pela reportagem da BBC Brasil, a assessoria de imprensa da Odebrecht no Brasil disse que "não vai se pronunciar sobre o assunto".

As exigências que teriam sido aceitas pela empreiteira correspondem ao pagamento de uma indenização de US$ 43 milhões pelos prejuízos causados pela paralisação da usina San Francisco, fechada desde junho, além da reparação total da hidrelétrica que foi construída pela Odebrecht.

Impasse
O impasse entre o governo equatoriano e a construtora começou há uma semana, quando Correa firmou um decreto ordenando o embargo dos bens da empresa brasileira, a militarização de todas as obras em andamento e proibição de que funcionários da empresa deixassem o país.

Correa disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tratou o assunto com "muito respeito" por saber que o tema diz respeito a uma empresa privada e outro governo.

Mais cedo o presidente Lula havia sinalizado nessa mesma direção.

"Não tenho dúvida de que o Equador é um amigo do Brasil e se existe um problema com uma empresa, não é um problema com o Estado (brasileiro)", afirmou.

O chanceler Celso Amorim, encarregado de mediar a crise, avaliou a conversa com Correa como "positiva" e disse que aguardará a evolução dos fatos a partir do envio do contrato que teria sido assinado pela construtora.

"A conversa foi positiva... e houve o reconhecimento de que a carta (acordo) cria uma situação nova, que precisa ser reexaminada", disse Amorim.

Apagões
Com uma potência prevista de 230 megawatts e com capacidade para abastecer 12% da energia do país, a central San Francisco foi construída pelo Consórcio Odebrecht - Alstom - Vatech (empresas européias) e inaugurada em junho de 2007.

A partir de junho de 2008, a San Francisco começou a apresentar falhas e logo depois foi fechada, o que, de acordo com o governo equatoriano, coloca em risco o abastecimento do país e poderia ocasionar apagões de energia.

A construtora brasileira Odebrecht afirmou que, durante seu primeiro ano de funcionamento, a usina hidrelétrica operou sob a responsabilidade do governo do Equador, com capacidade superior à que havia sido projetada.

Colaborou a Redação em São Paulo.

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