Correa aposta em popularidade para vencer reeleição e consolidar mudanças

Quito, 25 abr (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, que se destaca tanto por sua popularidade como por ser implacável com seus adversários, vai tentar nas eleições de amanhã um segundo mandato de quatro anos, com o qual buscará consolidar sua revolução.

EFE |

Correa, chamado por opositores de "incapaz", "arrogante" e até "totalitário", e considerado "tenaz" e "fiel a seus princípios" por eleitores, é o presidente mais popular que o Equador teve em 30 anos. Tanto que todas as pesquisas dizem que ele não terá dificuldades para se reeleger já no primeiro turno.

Para muitos equatorianos, o chefe de Estado, que nasceu em Guayaquil em 1963 e teve uma infância dura - segundo ele mesmo diz -, encarna a mudança da qual o país precisa para deixar para trás uma distribuição da riqueza notadamente desigual.

Investimentos na área social, uma política econômica nacionalista, sua posição anti-imperialista, o combate ao neoliberalismo e um fervor pela integração latino-americana marcam o modo Correa de governar.

Para martírio dos opositores, ele prometeu "mais do mesmo" se vencer as eleições, o que foi uma constante desde que disputou a Presidência pela primeira vez, em 2006.

Correa foi um personagem ativo nos protestos contra o Governo de Lúcio Gutiérrez, destituído pelo Congresso em 2005. E, antes de ser candidato a presidente, foi ministro da Economia por pouco mais de cem dias no Executivo de Alfredo Palacios.

Grupos indígenas e de defesa do meio ambiente que até agora vinham ajudando o presidente a alcançar suas metas deixaram de apoiar sua reeleição por acharem que a atual política para os setores minerador e petrolífero desrespeita o ecossistema e os povos nativos.

No último Fórum Social Mundial (FSM), realizado em Belém do Pará, a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador chegou a pedir que Correa fosse declarado "persona non grata" por suas atitudes "racistas", "machistas" e "paternalistas".

Correa, que tomou posse em janeiro de 2007 com uma camisa bordada com motivos indígenas, que havia virado símbolo de distinção e que chegou a ser "defumado" por índios xamãs, diz agora que aqueles que o acusam agora defendem um "ecologismo e um esquerdismo infantil".

Desenvolto na hora de falar e acostumado a ser ríspido com quem o critica, o presidente equatoriano não hesitou em chamar de "canalha" o deputado que fez circular história de que seu pai cumprira pena por traficar drogas aos Estados Unidos.

Além disso, numa cúpula regional, brigou com seu colega colombiano, Álvaro Uribe, na frente das câmeras de TV, disse que preferia ter a mão cortada a renovar com os EUA um contrato para o uso de uma base militar e tachou como mentirosas as acusações de que teria vínculos com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Correa também se pronunciou com termos muito duros e exigiu respostas diante de casos de imigrantes equatorianos que sofreram discriminação ou assédio na Europa.

Economista de profissão, com títulos de universidades do Equador, da Bélgica e dos EUA, Correa se define como um "cristão de esquerda", e, quando jovem, foi voluntário de uma missão de padres salesianos na localidade de Zumbahua, uma das zonas mais pobres do país.

Seu projeto de "revolução cidadã", que segundo os opositores se assemelha com o socialismo de seu amigo e colega venezuelano, Hugo Chávez, defende "a supremacia do trabalho humano sobre o capital" e está baseada num "profundo senso da ética", disse várias vezes o chefe de Estado.

Correa só ganhou a chance de disputar a reeleição e, assim, dar continuidade à sua revolução quando conseguiu que uma nova Carta Magna fosse aprovada por uma grande maioria num referendo realizado em setembro do ano passado.

Com esse novo marco constitucional, o presidente, sem deixar o poder, se lançou em campanha apostando em sua grande popularidade.

A oposição, porém, acusou-o de concorrer com vantagem de ter a imprensa estatal ao seu lado. O Conselho Nacional Eleitoral, por sua vez, puniu duas vezes o partido governista pelo fato de Correa ter feito "pronunciamentos" públicos sobre outros candidatos num de seus programas de rádio dos sábados.

O CNE chegou a avisar ao chefe de Estado que, se a situação se repetisse, as transmissões de sábado, usadas pelo Governo para divulgar suas benfeitorias, seriam suspensas.

Correa, que escreveu vários livros e artigos sobre economia, é casado com a belga Anne Malherbe, com quem tem três filhos: Sofia, Anne Dominique e Rafael Miguel. EFE fa/sc

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