Correa anuncia ações legais contra a Colômbia por morte de equatoriano

O presidente do Equador, Rafael Correa, informou neste sábado que está preparando ações legais contra Bogotá pela morte do equatoriano Franklin Aisalla em uma incursão militar colombiana contra as Farc em território nacional, o que mantém rompidas as relações diplomáticas entre os dois países.

AFP |

"Estamos preparando outras ações legais, neste caso pela morte do cidadão Aisalla", declarou o presidente em seu programa semanal de rádio.

Correa disse que a família da vítima tem todo o apoio do governo porque, "independente se era guerrilheiro ou não, trata-se de um equatoriano assassinado pelas forças estrangeiras em solo pátrio e não se pode permitir isso".

Correa assinalou que seu secretário particular receberá os familiares de Aisalla, que foi abatido no ataque militar colombiano contra as Farc no Equador em 1o. de março, e que deixou mais de vinte mortos, incluindo o chefe rebelde Raúl Reyes.

Há uma semana o chefe de Estado anunciou que Quito lançará uma série de contra-ofensivas frente aos "abusos" de Bogotá, como apresentar uma queixa ante a Corte Internacional de Justiça de Haia (CIJ) pelas fumigações aéreas da Colômbia para combater cultivos ilícitos em sua fronteira comum.

O ministério equatoriano da Defesa admitiu que Aisalla foi investigado pelo Exército por um suposto vínculo com a guerrilha das Farc.

Em uma entrevista ao jornal espanhol El País neste sábado, Correa insistiu que os contatos de seu governo com a guerrilha das Farc pretendiam facilitar uma ação humanitária e que as autoridades colombianas estavam a par.

Correa explicou o encontro do ministro do Interior equatoriano, Gustavo Larrea, com o número dois das Farc, Raúl Reyes, dentro das gestões para libertar Enmanuel, o filho de Clara Rojas, refém da guerrilha liberada em janeiro.

Larrea avisou previamente o presidente colombiano, Alvaro Uribe, de que o Equador participaria em ações humanitárias, apesar de não ter prevenido do

encontro com Reyes, que se aconteceu num país neutro, segundo Correa.

Reyes foi posteriormente morto numa incursão militar colombiana em território equatoriano.

Correa, que assegurou que em sua vida jamais encontrou alguém das Farc, taxou de mentiras as informações encontradas no computador de Raúl Reyes nas quais ele e alguns de seus colaboradores são vinculados com a guerrilha.

Quanto ao possível restabelecimento das relações com a Colômbia, o presidente equatoriano advertiu que, enquanto houver informações por parte de Bogotá sobre o conteúdo do computador de Reyes, será difícil retomar os contatos diplomáticos.

Correa, no entanto, disse que espera superar em breve esse "gravíssimo incidente" com a Colômbia, para restabelecer os vínculos diplomáticos.

"Tomara que superemos o mais rápido possível esse gravíssimo incidente, para restabelecermos relações com um país irmão como a Colômbia, mas com satisfa\cão para a o Equador, para a família Aisalla, com justiça e dignidade", concluiu.

esb/erl/cn

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