Corpos de vítimas de massacre serão levados para Cidade do México

De acordo com cônsul-geral adjunta do Brasil no México, capital tem mais infraestrutura para o processo de identificação

Marsílea Gombata, iG São Paulo |

Autoridades mexicanas decidiram trazer os corpos de todas as vítimas da chacina em uma fazenda no Estado de Tamaulipas para a Cidade do México, capital do país. De acordo com a cônsul-geral adjunta do Brasil no México, Maria Aparecida Weiss, a decisão deve-se fundamentalmente ao fato de a capital ter mais estrutura para procedimentos e exames de identificação dos corpos do que a região onde os crimes ocorreram.

"Neste momento as autoridades locais estão se organizando para trazer os corpos para a Cidade do México, onde há mais infraestrutura para os trabalhos de identificação, como coleta de dados laboratoriais", explicou Maria Aparecida ao iG .

O transporte dos corpos seria, em princípio, feitos por avião, mas há chances de que seja feito por via terrestre, disse a cônsul adjunta. Ela explicou ainda que, apesar de já terem sido identificados 31 dos 72 corpos das vítimas , todos serão levados à capital, já que precisam de exames de DNA para comprovar a identidade.

"Na verdade, foi uma equipe daqui para lá, mas autoridades concluíram que o translado para cá contribuiria para que o processo de identificação ocorra de maneira mais célere", acrescentou Maria Aparecida. "Todos os países que têm vítimas, como nós, estão esperando que seja repassado pela chancelaria mexicana cópias de documentos que foram encontrados dispersos, para que possamos colaborar com a identificação".

A previsão é que os corpos comecem a ser levados para a capital mexicana até a manhã da terça-feira.

Massacre

Na quarta-feira passada, militares mexicanos encontraram 72 corpos em uma fazenda no Estado de Tamaulipas, no norte do país. Os corpos foram encontrados após uma troca de tiros com homens suspeitos de pertencer a um cartel de tráfico de drogas. Nesta segunda-feira, a polícia federal mexicana destituiu10% de seus efetivos. As destituições ocorrem dias depois da repercussão internacional da chacina, incluindo pelo menos dois brasileiros - os mineiros Juliard Aires Fernandes, de 20 anos, e Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos .

Segundo depoimento do único sobrevivente do massacre, o equatoriano Luis Freddy Lala Pomavilla , de 18 anos, os imigrantes foram mortos após não aceitar prestar serviços para o cartel Los Zetas. De acordo com Pomavilla, morreram na chacina cidadãos do Brasil, Equador, El Salvador, Guatemala e Honduras.

Apesar de ter recebido um visto humanitário do governo mexicano, Pomavilla preferiu deixar o país e saiu do México no domingo, disse uma fonte do governo. A fonte explicou que o equatoriano foi repatriado para seu país no domingo à noite, após receber alta médica do hospital da Marinha onde permaneceu internado em função dos ferimentos por disparos.

Futura Press
Maria e Antônio, pais de Hermínio Cardoso dos Santos, de 24 anos, de Sardoá
*Com BBC, EFE e AFP

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