Corpo de brasileiro morto na Austrália é enterrado neste domingo

Estudante Roberto Laudisio foi morto em março após ser atingido por disparos de uma arma de choque. Polícia disse que ele havia roubado um pacote de biscoitos

iG São Paulo |

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Familiares do estudante durante o sepultamento no Cemitério do Araçá, em SP
O corpo do estudante Roberto Laudísio Curti, de 21 anos, morto na Austrália no dia 18 de março, foi enterrado neste domingo, por volta das 12h, no Cemitério do Araçá, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. O velório também foi realizado no mesmo local no início da manhã.

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Laudisio, que era órfão desde criança, foi enterrado no mesmo túmulo que os pais. O corpo do estudante deixou a Austrália na sexta-feira (13) com destino ao Chile. Após pernoitar em Santiago, seguiu na manhã para o Brasil. O voo desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, Cumbica, por volta das 16h.

Laudisio estava na Austrália desde o ano passado para visitar a irmã e o cunhado e fazer um curso de inglês numa escola de Bondi Junction, um bairro no sul de Sydney. Ao iG , a madrinha do jovem disse que o traslado custaria US$ 10 mil (R$ 18,3 mil) e seria custeado pela família. Eles vão pedir um reembolso ao governo australiano.

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Corpo do estudante foi sepultado no mesmo túmulo que os pais, neste domingo

A ação policial que culminou em sua morte teve início após o furto de um pacote de biscoitos em uma loja de conveniência durante a madrugada. Segundo a polícia, Laudisio foi o autor do roubo e, durante uma perseguição, foi atingido por uma arma de eletrochoque taser.

O repórter Marcos Moreira, do serviço brasileiro da emissora de rádio australiana SBS (Special Broadcasting Service), falou com funcionários da loja. Um deles não reconheceu Laudisio como o autor do roubo. As imagens da câmera de vigilância do local estão em poder da polícia de Sydney e até o momento não foram divulgadas.

Indignação

A madrinha do jovem, Patricia Laudisio, criticou a falta de apoio do Itamaraty: "Estamos decepcionados com a postura do governo brasileiro, que não está fazendo pressão, não está cobrando", afirmou Patricia. Procurada pelo iG , a assessoria de imprensa do Itamaraty disse que o Consulado do Brasil em Sydney está em "contato permanente" com a família de Laudisio e respeitando o pedido de privacidade feito pelos parentes.

A assessoria acrescentou que a representação brasileira acompanha o caso de perto, mas tem atuação limitada em território estrangeiro, não podendo, por exemplo, investigar um crime.

A madrinha do estudante acrescentou que o corpo passou por três necropsias. A primeira, que não foi acompanhada pela família, indicou que o jovem foi agredido fisicamente e não apenas atingido pela arma de taser. Os resultados dos testes não foram divulgados.

Patricia disse também que a família enviou à Austrália exames médicos feitos por Roberto antes de embarcar, no ano passado. Segundo ela, os testes mostraram que o jovem tinha boas condições de saúde e nenhum problema cardíaco que pudesse explicar porque ele morreu ao ser atingido por uma arma que, em tese, não é letal. “Ele morreu porque recebeu quatro disparos de taser e ninguém aguenta quatro disparos de taser”, disse a madrinha do jovem.

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