Coreias se reúnem em momento de tensão

Cecilia Heesook Paek. Seul, 21 abr (EFE).- Representantes do Governo de Seul viajaram hoje ao complexo conjunto de Kaesong para fazer sua primeira reunião em mais de um ano com a Coreia do Norte, em meio à escalada da tensão entre os países vizinhos.

EFE |

A delegação sul-coreana, com Kim Young-Tak, diretor-geral do escritório de Kaesong do Ministério da Unificação sul-coreano, chegou de manhã ao parque industrial desta cidade na fronteira.

No entanto, os desacordos sobre o formato que devia ter o encontro entre as duas Coreias e a impossibilidade de que os representantes de Seul pudessem entrar em contato com o trabalhador sul-coreano preso pelo Governo norte-coreano atrasaram a reunião.

O encontro tem como objetivo abordar o futuro do parque industrial intercoreano e a prisão deste trabalhador sul-coreano por ter criticado a ditadura comunista do Norte.

Pyongyang insistiu em que a reunião fosse realizada em seu escritório de administração em Kaesong, enquanto Seul defendeu que ela acontecesse no escritório administrado pelo Sul.

Seul pede ainda a lista da delegação norte-coreana antes de começar a reunião para dotar o encontro de mais formalidade já que se trata da primeira reunião sob o novo Governo sul-coreano.

A inconclusa reunião é o primeiro passo para estabelecer negociações entre as duas Coreias desde que o novo Governo do conservador Lee Myung-Bak assumiu a Presidência sul-coreana em fevereiro do ano passado.

Segundo o porta-voz do Ministério da Unificação sul-coreano, Kim Ho-Nyoun, a delegação sul-coreana viajou para Kaesong sem saber quem compõe a parte norte-coreana, o que, segundo ele, "carece de bom senso".

Pyongyang propôs na semana passada esta reunião intercoreana em nível governamental ao comunicar que seu país tem um "importante anúncio" a fazer sobre o complexo industrial conjunto de Kaesong, onde empresas sul-coreanas empregam mão-de-obra do Norte.

Além disso, um dos trabalhadores sul-coreanos da empresa Hyundai Assam permanece detido há três semanas por criticar o regime comunista e incitar a uma empregada norte-coreana a desertar para o Sul, segundo as autoridades da Coreia do Norte.

O principal objetivo de Seul nesta reunião é tentar libertar seu cidadão, além de garantir o bom funcionamento do complexo industrial onde operam cerca de 100 empresas sul-coreanas.

Em Kaesong trabalham cerca de 40 mil pessoas, a maioria cidadãos norte-coreanos empregados por companhias da Coreia do Sul especializadas na fabricação de têxteis e diversos utensílios.

Este primeiro tentativa de diálogo intercoreano acontece em meio a grandes tensões, intensificadas após o recente lançamento de um foguete de longo alcance por Pyongyang e que Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão desconfiam que seja, na verdade, um teste de sua tecnologia de mísseis de longo alcance.

Em resposta a este lançamento, Seul deve anunciar sua participação plena na Iniciativa de Segurança contra a Proliferação de armas de destruição em massa (PSI), o que Pyongyang advertiu que consideraria como uma "declaração de guerra".

A Coreia do Sul manifestou hoje que as relações com o Norte não deverão ser afetadas pela postura de Seul sobre sua participação na PSI.

Até agora, a Coreia do Sul participa parcialmente da PSI, desde 2005, para não provocar a Coreia do Norte.

Existe a especulação até de que Pyongyang poderia exigir que Seul fechasse ou reduzisse o complexo industrial, caso a Coreia do Sul anunciasse sua participação plena na PSI, o que poria um fim no principal símbolo de cooperação entre as duas Coreias.

Empresas sul-coreanas e o próprio Governo de Seul investiram até agora cerca de US$ 550 milhões no complexo conjunto de Kaesong, desde que Roh Moo-Hyun, antecessor de Lee, o inaugurou, em 2005.

Desde que o novo presidente sul-coreano assumiu a Presidência com um programa menos transigente com o regime de Kim Jong-il, Pyongyang forçou sucessivos fechamentos do complexo industrial e do projeto partilhado para explorar o turismo na região do monte norte-coreano de Kumgangsan. EFE ce/jp

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