Por Jon Herskovitz SEUL (Reuters) - As Coreias do Norte e do Sul travaram um raro e tenso diálogo a respeito dos planos de Seul para coibir o suposto tráfico de armas no Norte, disse uma autoridade na quarta-feira.

A Coreia do Norte aumentou a tensão na península um dia depois da conversa ao acusar o Sul, também na quarta-feira, de deslocar em vários metros os marcos da fronteira, num "ato criminal vicioso" que pode levar a uma reação militar.

O Estado-Maior sul-coreano qualificou as acusações de "infundadas". A fronteira, mal demarcada, fica no centro de uma Zona Desmilitarizada de quatro quilômetros de largura, esta sim delimitada por arames farpados, e que divide a península desde o cessar-fogo que encerrou a Guerra da Coreia (1950-53).

Na terça-feira, as duas Coreias mantiveram seu primeiro diálogo em mais de um ano, no Parque Industrial Kaesong, que fica um pouco ao norte da fronteira. Empresas sul-coreanas usam a barata mão-de-obra local para suas atividades nesse local.

A Coreia do Norte disse que pretende rever os termos da operação para aumentar os salários dos operários, atualmente fixado em um mínimo mensal de 70 dólares, pagos diretamente ao governo norte-coreano. Pyongyang pretende também renegociar o aluguel pago pelo terreno.

Analistas dizem que o regime comunista pretende obter mais dinheiro de Kaesong para compensar a perda de ajuda sul-coreana equivalente a cerca de 5 por cento do seu PIB. O governo conservador de Seul suspendeu a ajuda devido a questões políticas.

A situação econômica da Coreia do Norte pode piorar também devido à decisão da ONU de impor com mais rigidez sanções em vigor contra o país, numa reação ao lançamento de um foguete norte-coreano em 5 de abril.

"O fluxo de ajuda do Sul parou. Agora há menos incentivos para manter os termos desfavoráveis (em Kaesong) intactos em meio ao estremecimento das relações intercoreanas", disse Koh Yu-hwan, professor de estudos norte-coreanos na Universidade Dongguk, na Coreia do Sul.

A Coreia do Sul pode privar o Norte de mais uma fonte de divisas se aderir a um programa norte-americano, chamado Iniciativa de Segurança da Proliferação, destinado a impedir o fluxo de armas de destruição em massa.

Pyongyang inicialmente apontara tal adesão como uma declaração de guerra, mas na reunião de Kaesong a delegação do Sul pediu que o Norte evitasse críticas à participação sul-coreana, de acordo com um porta-voz do Ministério da Reunificação em Seul.

A Coreia do Sul passou anos evitando a adesão ao programa para não se indispor com o Norte. Agora, fontes do governo dizem que tal preocupação já não faz sentido, uma vez que Pyongyang agravou muito a tensão regional ao lançar o foguete -- oficialmente destinado a colocar um satélite em órbita, mas visto por muitos como um teste disfarçado de um míssil de longo alcance.

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