Coreia do Sul terá que indenizar família de espião condenado injustamente

Após cumprir sua sentença, Kim foi libertado e morreu em 1986 por consequência da tortura a que foi submetido

EFE |

Um tribunal da Coreia do Sul ordenou o Governo do país a indenizar em 1,9 bilhão de wons (US$ 1,7 milhão) os parentes de um sul-coreano condenado injustamente por espionagem na década de 1970, informaram fontes judiciais neste domingo.

Kim Bok-jae foi acusado em 1971 de infiltrar-se no Japão para realizar trabalhos de espionagem a favor de uma organização de simpatizantes da Coreia do Norte.

Durante as investigações, Kim admitiu as acusações de espionagem e foi sentenciado a dez anos de prisão por ter violado a lei de Segurança Nacional da Coreia do Sul, que proíbe seus cidadãos de terem ligações com norte-coreanos sem uma permissão governamental e de realizarem atividades que beneficiem Pyongyang.

Em sua sentença, o tribunal de Gwanju assinalou que "Kim foi detido pelas autoridades sem uma ordem e não teve a oportunidade de se defender", informou a agência local "Yonhap". O tribunal também indicou que Kim admitiu "as falsas acusações por que foi incapaz de suportar os golpes, as descargas elétricas e a tortura com água".

Após cumprir sua sentença, Kim foi libertado e morreu em 1986 por consequência da tortura a que foi submetido. O caso de Kim foi reaberto em maio depois que 14 de seus familiares solicitaram um novo julgamento por recomendação da Comissão da Verdade e Reconciliação, criada em 2005 para investigar as atrocidades cometidas no passado.

Neste processo, Kim foi declarado inocente, e seus parentes processaram o Governo para pedir uma indenização. O tribunal sul-coreano enfatizou que o Estado violou a Constituição por "infringir os direitos humanos básicos do povo".

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