Coreia do Sul promete vingar morte de soldados

Comandante dos Fuzileiros Navais sul-coreanos disse que oficiais vão 'gravar esta raiva e hostilidade' em seus ossos

BBC Brasil |

A Coreia do Norte realizou neste sábado a cerimônia para o sepultamento de dois militares que foram mortos no ataque norte-coreano, ocorrido na última terça-feira. A cerimônia foi transmitida ao vivo pela televisão em rede nacional com a presença do primeiro-ministro, Kim Hwang-sik, centenas de autoridades e militares, políticos, líderes religiosos, ativistas e civis.

O major You Nak-jun, comandante dos Fuzileiros Navais sul-coreanos, afirmou que a morte dos dois militares será vingada. "Os oficiais ativos e todas as forças da reserva da Coreia do Sul vão gravar esta raiva e hostilidade em nossos ossos e vamos garantir nossa vingança contra a Coreia do Norte", disse.

A cerimônia para os fuzileiros navais Seo Jeong-woo e Moon Kwang-wook ocorreu no hospital militar de Seongnam, perto da capital sul-coreana, Seul. Militares e familiares dos dois marinheiros depositaram flores perto dos caixões, envoltos em bandeiras da Coreia do Sul.

Em Seul, cerca de mil militares veteranos realizaram um protesto contra a Coreia do Norte, queimando bandeiras e retratos de líderes norte-coreanos, além de exigir vingança pelo que chamavam que "atrocidade" da Coreia do Norte.

O ataque de artilharia da Coreia do Norte contra a ilha habitada de Yeonpyeong, na Coreia do Sul, que matou pelo menos quatro sul-coreanos, os dois militares e dois civis, na última terça-feira está sendo considerado um dos piores incidentes entre os dois países desde 1953, quando a Guerra da Coreia terminou, sem um tratado de paz.

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou na sexta-feira, por meio de um comunicado, que o país está trabalhando para tentar dissipar a tensão na península coreana. "A maior prioridade agora é manter a situação sob controle e garantir que este tipo de incidente não ocorra novamente", diz o comunicado, referindo-se ao ataque da última terça-feira da artilharia norte-coreana contra a ilha habitada de Yeonpyeong, na Coreia do Sul.

A agência de notícias estatal chinesa, Xinhua, diz que o chanceler chinês, Yang Jiechi, encontrou-se nesta sexta-feira com o embaixador norte-coreano e conversou por telefone com seus colegas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Os detalhes das conversas não foram divulgados, e o Departamento de Estado americano não se pronunciou sobre o tema.

'Próxima guerra'

A Coreia do Norte disse que os quatro dias de exercícios militares conjuntos de Estados Unidos e Coreia do Sul, previstos para começar no domingo, colocam a península coreana "próxima da guerra".  "A situação na península coreana está cada vez mais próxima da guerra devido aos temerários planos de elementos propensos a apertar o gatilho de realizar exercícios de guerra", disse a agência de notícias estatal do país, a KCNA.

O governo de Pyongyang responsabiliza a Coreia do Sul, que realizava exercícios militares nas proximidades da ilha, pelo incidente da última terça-feira, afirmando que ordenará "uma segunda e mesmo terceira bateria de ataques, sem hesitação, se os favoráveis à guerra na Coreia do Sul fizerem novas provocações".

Reação

Os ataques causaram a queda do ministro da Defesa sul-coreano, Kim Tae-young, substituído por Kim Kwan-jin. A Coreia do Norte foi criticada por diversos países após o incidente. Na sexta-feira, o Parlamento japonês classificou o incidente de "um ato ultrajante de violência" e que o país deve "considerar novas sanções" contra o governo norte-coreano.

O comandante americano na Coreia do Sul, responsável pelos 28 mil soldados dos Estados Unidos no país, Walter Sharp, disse que realizará uma "investigação completa" sobre o ataque. Sharp esteve na sexta-feira na ilha atingida e, segundo o comando militar americano, não teria escutado novos disparos de artilharia em território norte-coreano, como indicam relatos.

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