Na semana passada, a Coreia do Norte aceitou as condições de Seul para um diálogo destinado a reduzir a tensão na península

A Coreia do Sul irá propor em breve um diálogo que pode levar à retomada das negociações multilaterais sobre o desarmamento nuclear norte-coreano, disse uma fonte oficial na segunda-feira. A reunião, após um hiato de dois anos no processo multilateral, será proposta em separado do diálogo militar de alto nível entre as duas Coreias.

Na semana passada, a Coreia do Norte aceitou as condições de Seul para um diálogo destinado a reduzir a tensão na península, que atingiu seu maior grau desde o fim da guerra da Coreia (1950-53). "Assim que as discussões (internas) forem concluídas, faremos uma proposta ao Norte a respeito de discussões militares de alto nível e também sobre reuniões oficiais a respeito da desnuclearização", disse Lee Jong-ju, porta-voz do Ministério da Unificação sul-coreano.

Uma fonte do Ministério da Defesa sul-coreano disse na segunda-feira que diversas reuniões de trabalho devem ocorrer em meados de fevereiro, para estipular a data, o local e a pauta de encontros entre militares de alto escalão. Essa fonte acrescentou que a proposta sul-coreana deve ser feita nesta semana.

Aparentemente, a Coreia do Norte aceitou na semana passada o diálogo com Seul por estar sob pressão da China. Ao receber na semana passada o presidente chinês, Hu Jintao, na Casa Branca, o presidente dos EUA, Barack Obama, alertou que seu país iria mobilizar forças na Ásia caso Pequim não se empenhasse mais em conter sua aliada Coreia do Norte.

A tensão na península coreana se agravou no ano passado devido ao naufrágio de um navio militar sul-coreano, em março, e a um bombardeio contra uma ilha do Norte, que matou quatro pessoas, em novembro. A Coreia do Norte nega ter torpedeado a corveta Cheonan, e diz que bombardeou a ilha em resposta a disparos sul-coreanos contra suas águas.

A porta-voz Lee, do Ministério da Unificação, disse que Seul "mantém a posição de que precisamos checar a seriedade do Norte a respeito da desnuclearização".

Pyongyang abandonou em 2009 a negociação, envolvendo EUA, China, Rússia, Japão e Coreia do Sul, cuja meta era levar o regime comunista a abdicar do seu arsenal nuclear, em troca de ajuda econômica e política.

China e EUA dizem que a retomada do diálogo entre as duas Coreias é um pré-requisito para o reinício do processo multilateral, abandonado pelo Norte por causa da sua recusa em aceitar inspeções nas suas atividades nucleares.

Agora, Pyongyang demonstra a intenção de retomar o diálogo, o que segundo analistas reflete a grave situação econômica do país.

(Reportagem de Jack Kim)

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