Coreia do Sul encontra dois civis mortos por ataque norte-coreano

Ataque de terça-feira contra ilha sul-coreana também matou dois soldados e deixou 18 feridos, incluindo 15 militares e três civis

iG São Paulo |

Os corpos de dois civis foram encontrados nesta quarta-feira na ilha sul-coreana de Yeonpyeong, bombardeada na terça-feira pelo Exército da Coreia do Norte, informou a Guarda Costeira. Os guardas encontraram os corpos nos escombros de casas destruídas pelo disparos.

AP
Sul-coreanos que sobreviveram a ataque da Coreia do Norte chegam a porto de Incheon, a oeste de Seul, e são cercados por parentes e pela mídia
As duas vítimas tinham por volta de 60 anos. O ataque também matou dois soldados e deixou 18 feridos, sendo 15 militares e três civis , no que foi qualificado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, como o "mais grave incidente" desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953).

Para o governo sul-coreano, o ataque norte-coreano foi planejado para "consolidar" o processo de sucessão do líder norte-coreano, Kim Jong-il, em favor do seu filho mais novo. "Achamos que a Coreia do Norte realizou o ataque para consolidar o processo de sucessão do país mostrando a liderança de Kim Jong-un", indicou o titular de Defesa sul-coreano, Kim Tae-young, referindo-se ao mais novo dos filhos do líder norte-coreano.

Em setembro, Kim Jong-il, de 68 anos, indicou como seu provável sucessor Kim Jong-un - a quem é atribuída a idade de 27 anos - ao convocá-lo para a cúpula do poder do regime comunista.

Tensão na ilha

Nesta quarta-feira, centenas de residentes da ilha sul-coreana, atingida na terça-feira por cerca de 80 disparos da artilharia norte-coreana, ainda aguardavam em refúgios que a situação se normalizasse, enquanto os bombeiros tentavam controlar vários incêndios.

Segundo o escritório de controle de desastres da cidade de Incheon, cuja prefeitura pertence à ilha, 70% das florestas e campos de Yeonpyeong foram destruídos pelo fogo.

Segundo a agência sul-coreana "Yonhap", dos mais de 1,7 mil habitantes civis de Yeonpyeong,  permanecem na ilha 1,3 mil, enquanto 400 foram transferidos para o porto de Incheon, a cerca de 80 quilômetros de distância da capital sul-coreana, Seul. Lotados, navios da guarda-costeira levaram passageiros, em grande parte idosos, ao porto.

Dos que ficaram, cerca de 700 idosos e crianças estão refugiados em abrigos de concreto pelo temor de novos ataques à ilha, na qual moram civis que vivem da pesca e do turismo. O Exército enviou alimentos e água para os residentes e começa a recuperar as estruturas danificadas, enquanto o governo prometeu ajuda econômica aos afetados.

Após o incidente, os EUA e a Coreia do Sul anunciaram que realizarão exercícios militares conjuntos neste fim-de-semana perto da fronteira entre as duas Coreias. Segundo um comunicado oficial de Washington, as manobras militares já estavam planejadas antes do ataque, e deveriam servir como forma de dissuadir a Coreia do Norte de possíves ações agressivas na fronteira.

Nesta quarta-feira, um porta-aviões americano deixou uma base militar em Tóquio , no Japão, rumo à Coreia do Sul para participar das manobras.

Suspensão de ajuda humanitária

Em restaliação ao ataque, Seul decidiu nesta quarta-feira suspender o envio da ajuda humanitária prometida à Coreia do Norte após as inundações que o país vizinho sofreu em agosto.

Em outubro, o governo sul-coreano enviou um carregamento inicial de 5 mil toneladas de arroz e 3 mil toneladas de cimento à Coreia do Norte para atenuar os efeitos das inundações, mas ainda estava previsto o envio de 7 mil toneladas de cimento e material médico.

A assistência era a primeira custeada pelo governo de Seul desde que Lee Myung-bak assumiu a presidência, em fevereiro de 2008, com uma política de linha dura em relação a Pyongyang.

Arte/iG
Coreia do Norte lançou disparos contra ilha sul-coreana
*Com AFP e EFE

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