Coreia do Sul e China se reunirão em fevereiro para tratar sobre Defesa

Objetivo de encontro entre ministros da Defesa, o primeiro desde maio de 2009, é abordar a crescente tensão com a Coreia do Norte

iG São Paulo |

Os ministros da Defesa da Coreia do Sul e da China se reunirão em fevereiro em Pequim para abordar a tensão com a Coreia do Norte após o ataque de 23 de novembro a uma ilha sul-coreana, informaram neste domingo fontes oficiais sul-coreanas.

O titular sul-coreano de Defesa, Kim Kwan-jin, que assumiu seu cargo há apenas um mês, deve se encontrar com seu colega chinês, Liang Guanglie, confirmou um funcionário de Defesa sul-coreano, que disse que funcionários de ambos os países se reunirão em janeiro para acertar a data e agenda do evento, segundo a agência local "Yonhap". Esse será o primeiro encontro de ministros da pasta dos dois países desde maio de 2009.

A Coreia do Sul, juntamente com os Estados Unidos e Japão, pediu à China que pressione a Coreia do Norte, do qual é principal aliado e benfeitor, para que pare com suas "provocações" depois do ataque de novembro contra a ilha sul-coreana de Yeonpyeong.

Segundo um funcionário do ministério citado pela agência, a expectativa é de que o ministro sul-coreano peça à China que atue com "responsabilidade" para pressionar o regime de Kim Jong-il de modo que cesse suas hostilidades, um apelo que Seul lançou de forma conjunta, no princípio deste mês, com EUA e Japão.

Segundo as fontes sul-coreanas, os responsáveis de Defesa da Coreia do Sul e China já cogitavam uma reunião desde a segunda metade deste ano, mas o encontro foi atrasado pelo ataque norte-coreano de novembro.

A China é o principal aliado político da Coreia do Norte e maior fornecedor de ajuda econômica ao país, que apoiou na guerra de 1950-1953 contra o Sul, que terminou com um armistício em vez de um tratado de paz.

Após o inesperado ataque lançado por Pyongyang em 23 de novembro à ilha sul-coreana de Yeongpyeong, na tensa fronteira do Mar Amarelo, a China mostrou sua preocupação com a "precária" situação na Península Coreana, e assegurou que não protegeria nenhuma das partes.

O anúncio deste domingo aconteceu após uma nova escalada de ameaças verbais entre as duas Coreias por causa das manobras militares organizadas por Seul perto da fronteira com o Norte.

Na segunda-feira, as forças sul-coreanas efetuaram exercícios perto da ilha de Yeonpyeong, e três dias mais tarde fizeram manobras terrestres e aéreas na região de Pocheon, a cerca de 20 quilômetros da Coreia do Norte. O país comunista respondeu a esses últimos exercícios com a ameaça de uma "guerra santa" e o eventual uso de seu "poder dissuasório nuclear" caso houvesse violação de seu território.

Enquanto as forças sul-coreanas se mantêm em alerta, o governo de Seul trabalha para coordenar com os EUA, seu principal aliado de segurança, os esforços para resistir a uma eventual ofensiva norte-coreana.

Fontes oficiais em Seul indicaram à agência "Yonhap" que está previsto que, no início de 2011, em janeiro ou fevereiro, aconteça a chamada reunião "2+2", da qual participam os chanceleres de Coreia do Sul e EUA. Nesse encontro, que inicialmente estava previsto para este mês em Washington, mas foi adiado por motivos de agenda, segundo as fontes, serão analisadas as medidas de segurança na Península Coreana para fazer frente às "provocações" do Norte.

A Coreia do Sul acredita que Pyongyang poderia promover novas ações beligerantes no próximo ano, em meio ao processo de transição que vive o regime de Kim Jong-il, que em outubro designou seu filho mais novo, Kim Jong-un, como seu provável sucessor.

Segundo um estudo publicado neste domingo pelo Instituto para a Estratégia de Segurança Nacional, administrado pelos Serviços de Inteligência sul-coreanos, Kim Jong-un, cuja idade provável é de 28 anos, poderia em 2011 consolidar seu poder ao se transformar em número dois da poderosa Comissão Nacional de Defesa, presidida por seu pai.

Nesse contexto, não se descarta que o país comunista "desenvolva estratégias" para mostrar seu poder com ações de provocação como ataques a navios ou postos de observação sul-coreanos, segundo o relatório.

Mais manobras militares

A Coreia do Sul planeja para a próxima semana mais de 20 manobras militares navais em três lugares diferentes, mas nenhum deles perto da área de fronteira com o Norte, indicou neste domingo o Exército sul-coreano.

Os exercícios com munição real acontecerão entre 27 e 31 de dezembro em três regiões da costa peninsular, de acordo com o Estado Maior sul-coreano.

Nenhuma das manobras passará perto da fronteira marítima com a Coreia do Norte no mar Amarelo, segundo dados do exercício divulgados para a imprensa. Pyongyang contesta o traçado da fronteira marítima da península, a chamada Linha Limítrofe do Norte (NLL, na sigla em inglês), definida pelas Nações Unidas depois da Guerra da Coreia (1950-1953).

*Com AFP e EFE

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