Coréia do Sul aterra áreas à beira-mar para erguer cidade

Por Jon Herskovitz BUAN, Coréia do Sul (Reuters) - A Coréia do Sul aposta que um projeto multibilionário de aterro de uma área sete vezes do tamanho de Manhattan vá revitalizar sua economia, mas ambientalistas dizem que pode ser um dos piores erros ecológicos cometidos no país.

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O projeto do aterro de Saemangeum usa um dique marítimo de 33 quilômetros de extensão para aterrar uma área de 400 quilômetros quadrados, convertendo áreas alagadiças costeiras que são cruciais para a alimentação de aves ameaçadas de extinção em terra para sediar fábricas, campos de golfe e estações de tratamento de água.

"Este projeto não visa proteger o meio ambiente. É um projeto de desenvolvimento econômico. E vamos fazê-lo de maneira ambientalmente segura", disse Park Hyoungbae, representante do órgão de desenvolvimento de Saemangeum.

O órgão disse que o projeto, cujo custo é quase 3 bilhões de dólares, vai industrializar a província de Jeolla Norte, tradicionalmente o celeiro agrícola do país, mas que não tem indústria moderna.

Os responsáveis vão iniciar a construção de uma zona industrial em 2009, oferecendo a indústrias seletas incentivos como leasing gratuito de terrenos por 100 anos e uma zona econômica livre que vai oferecer incentivos fiscais para atrair investidores estrangeiros, que poderão viver numa aldeia planejada apenas para eles.

Eles vão substituir as áreas alagadiças naturais por artificiais e converter leitos de rios em lagos artificiais. Vão construir um parque ao lado da estrada sobre o dique marítimo e procurar atrair turistas com um parque temático, um centro de convenções e possivelmente um cassino.

A província, que se estende da metade da Coréia do Sul até a costa oeste, é repleta de pequenas propriedades agrícolas que produzem grãos e porcos. Ela tem um porto de dimensões médias que atende a China, que fica do outro lado do Mar Amarelo, e abriga a cidade história de Jeonju, que foi capital de um reino coreano antigo.

INÉRCIA BUROCRÁTICA

O projeto para o estuário, situado 200 quilômetros ao sul de Seul, foi lançado há décadas, quando a economia sul-coreana passava por dificuldades, havia escassez de alimentos e o aterro parecia uma boa maneira de aumentar as terras aráveis no país montanhoso e pequeno.

Após anos de discussões, a construção do projeto começou em 1999, com centenas de pedras do tamanho de carros pequenos sendo jogadas no estuário do Mar Amarelo para formar o dique, que foi concluído em 2006.

Os agricultores da região contestam a necessidade da obra, dizendo que, em função da queda na população, não há mais pessoas para trabalhar na terra, e as principais indústrias domésticas não se interessam por Saemangeum devido à falta de infra-estrutura.

Áreas alagadiças como as de Saemangeum ajudam no controle de enchentes, a prevenir a erosão dos solos e podem remover e armazenar gases causadores do efeito estufa, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental dos EUA.

Grupos conservacionistas dizem que o projeto já está prejudicando o meio ambiente, destruindo áreas de banhado e levando aves de espécies ameaçadas para mais perto da extinção.

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