Coreia do Sul aposta no turismo médico

Cecilia Heesook Paek. Seul, 10 fev (EFE).- A Coreia do Sul quer lucrar com o boom da cirurgia e dos tratamentos estéticos em seu país para atrair às fortunas de países vizinhos como o Japão, China e Rússia, com estadias em hospitais luxuosos que investem no turismo médico.

EFE |

Sem um clima atrativo, praias ou monumentos, a Coreia do Sul decidiu apostar em outro tipo de turismo e atrair viajantes os interessados em cirurgias plásticas que querem pagar preços menores do que os cobrados pelos Estados Unidos e o Japão.

As centenas de clínicas estéticas da nação, que cresceram graças à preocupação da população com a imagem, investiram em melhorias e agira atraem um novo perfil de turista, o paciente-turista.

Os tratamentos de estética para asiáticos, como o popular corte da pálpebra, são oferecidos por cerca de 630 euros, enquanto outras intervenções como de nariz têm um custo médio de 1,6 mil euros, metade do custo da mesma cirurgia nos Estados Unidos.

A Coreia do Sul acredita que o turismo médico pode se transformar em um novo motor de crescimento e espera atrair até 70 mil estrangeiros com seus tratamentos de estética, odontologia e promessas de cura mediante as últimas tecnologias e preços competitivos.

Uma endoscopia de estômago na Coreia do Sul custa 17 euros, 50% menos do que o preço cobrado nos Estados Unidos e até 80% mais econômico do que no Japão, onde o sistema de saúde público não oferece uma cobertura tão abrangente como na Europa.

Assim, os tratamentos de luxo transcenderam o âmbito da estética e agora famosos hospitais, como o gigantesco complexo de Samsung Medical Center em Seul, oferecem uma estadia de duas noites em suas instalações para realizar a chamada "revisão CEO" (presidente-executivo) por 10 milhões de wons (6,240 mil euros).

A organização governamental de Turismo de Coreia (KTO) espera que com estas ofertas e serviços exclusivos neste ano se duplique o número de estrangeiros que buscam tratamento na Coreia do Sul com relação o ano passado.

Sob lema de "Smart Care, Medical Korea (Cuidado inteligente, Coreia médica)", o país asiático espera atrair 200 mil pessoas até 2013 que trocarão o guarda-sol e os biquínis por roupões de hospital, o que permitirá gerar mais de 16 mil postos de trabalho e 1,4 trilhão de wons (866 milhões de euros) em receita.

Os japoneses aderem ao tratamento devido à força de sua moeda, o iene, frente à divisa sul-coreana, e os chineses com maior poder aquisitivo buscam a qualidade dos serviços sul-coreanos.

Segundo a KTO, a grande maioria dos asiáticos procura cirurgia plástica e tratamentos dentários, e os russos buscam o país para fazer tratamentos de doenças cardiovasculares.

"O Governo sul-coreano impulsiona o turismo médico como o novo motor de crescimento e temos certeza de sua competitividade quanto à qualidade e ao preço", disse à agência Efe Jin Soo-nam, chefe do Departamento de Marketing do Turismo de Saúde de KTO.

A Coreia do Sul espera conquistar os japoneses, uma população cada vez mais envelhecida e com alto poder aquisitivo, e quer fazer o mesmo com outros países asiáticos a cujos cidadãos poderiam conseguir um "visto médico" para agilizar as visitas por motivos de saúde e estética.

Com a passagem dos anos a assistência sanitária sul-coreana conseguiu ser competitiva, especialmente em cirurgia estética e odontológica, e tem grandes índices de êxito em doenças como câncer de estômago e de fígado, afecções cada vez mais generalizadas.

Jin ressalta que Coreia do Sul tem uma localização geográfica que facilita receber turistas por motivos médicos procedentes do Japão, China e Rússia.

Apesar de tudo, analistas locais assinalam que a Coreia do Sul ainda deve colocar-se à altura da Tailândia, Cingapura e da Índia no turismo médico e superar outros obstáculos como à carência de profissionais que dominem os idiomas estrangeiros. EFE ce-jmr/dm

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