Coreia do Norte testa paciência da comunidade internacional em 2009

Seul, 15 dez (EFE).- A Coreia do Norte colocou a toda prova a paciência da comunidade internacional em 2009 com um inesperado teste nuclear e o lançamento de mísseis, que têm como objetivo final levar o Governo de Barack Obama à mesa de negociações.

EFE |

A estratégia norte-coreana gerou em 2009, após discretas negociações, a primeira reunião de um enviado do presidente americano com funcionários do regime comunista.

Stephen Bosworth, responsável por essas conversas, tentou a volta do regime de Kim Jong-il ao diálogo de seis lados - EUA, Coreia do Norte, China, Coreia do Sul, Japão e Rússia - após um teste nuclear, em maio, que escandalizou a comunidade internacional.

A posse de Obama como presidente em janeiro deste ano foi determinante para Pyongyang, que esperava um melhor tratamento da Casa Branca depois de ver George W. Bush incluir a Coreia do Norte em seu "eixo do mal".

O jogo de pressões de Pyongyang começou com o aumento da tensão com Seul através da fronteira comum, aumentou com o teste de um foguete de longo alcance em abril e culminou em maio com seu segundo teste nuclear desde 2006.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas agiu com firmeza na condenação e a imposição de novas sanções a Pyongyang, e até mesmo China e Rússia se distanciaram de sua tradicional aliança com a Coreia do Norte.

Já em abril, o lançamento de um foguete, muito similar a um míssil Taepodong-2 de longo alcance, custou à Coreia do Norte a condenação do Conselho de Segurança e um mês depois o teste nuclear subterrâneo elevou a tensão a um maior nível.

A ONU aprovou por unanimidade uma resolução de condenação que incluía novas sanções financeiras e comerciais, enquanto Pyongyang declarava mortas as negociações de seis lados para seu desarmamento.

Em uma provocação ainda maior em direção a seus maiores críticos (Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos), a Coreia do Norte assegurou pouco depois que começaria a enriquecer urânio e transformar em armas o plutônio que tinha armazenado em Yongbyon, sua única usina nuclear.

Ao mesmo tempo, o regime comunista elevou sua dialética bélica, acusando Seul e Washington de preparar uma invasão de seu território através das manobras militares anuais em que ambos encenam uma hipotética invasão norte-coreana.

A fronteira intercoreana, única via de entrada de divisa estrangeira junto com os pontos de contato com a China, foi fechada quase totalmente e os canais de comunicação entre as duas partes do país dividido foram eliminados.

As especulações indicavam que Pyongyang tentava obter um compromisso da Administração de Obama e aumentar as exigências diante de uma nova rodada de negociações, na qual pudesse receber mais por seu desarmamento.

Finalmente, a distensão começou com a visita do presidente da China, Hu Jintao, a Pyongyang, a volta à normalidade na fronteira intercoreana e os projetos conjuntos com Seul, assim como a visita do ex-presidente Bill Clinton.

No complexo industrial de Kaesong, Pyongyang encenou a tentativa de voltar ao diálogo com Seul, com o objetivo de retomar seus poucos projetos comuns e conseguir ajuda alimentícia para a Coreia do Norte.

Além disso, em agosto, Bill Clinton pôs fim com sua reunião com Kim Jong-il ao confinamento de duas jornalistas americanas detidas pela Coreia do Norte por cinco meses.

Os analistas asseguram que a Coreia do Norte tentou com esta sucessão de provocações e concessões obter compensações econômicas por seu desarmamento nuclear.

A delicada saúde de Kim Jong-il, os rumores de sucessão e a falta de controle de uma economia extremamente fechada serão as variáveis que condicionarão em 2010 o jogo norte-coreano com os Estados Unidos e seus aliados na região. EFE ce-jmr/mh

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