Coreia do Norte tenta diálogo com Sul, mas alerta sobre sanção

Seul - A Coreia do Norte fez uma rara proposta neste sábado de diálogo com a Coreia do Sul, sobre um parque industrial conjunto logo ao norte da fronteira, onde o Estado comunista tem mantido sob custódia um trabalhador sul-coreano há semanas.

Reuters |

Mas os norte-coreanos também emitiram um novo alerta contra a medida da Coreia do Sul de se juntar a uma iniciativa encabeçada pelos Estados Unidos contra o fluxo de armas, afirmando que qualquer sanção contra o Estado comunista será considerado um ato de guerra.

As medidas chegam depois que a Coreia do Norte expulsou inspetores nucleares internacionais e ameaçou reiniciar sua fábrica de enriquecimento de plutônio para fins bélicos em resposta à punição imposta pela ONU por causa do lançamento de um foguete no início do mês -- amplamente visto como um teste encoberto de um míssil de longo alcance.

O Ministério de Unificação da Coreia do Sul afirmou que a Coreia do Norte quer ter conversações sobre o complexo industrial Kaesong na próxima terça-feira.

"Estamos considerando a proposta", afirmou o porta-voz do ministério, Kim Ho-nyeon, em coletiva de imprensa, sem oferecer mais detalhes sobre a natureza do diálogo.

Os laços entre os dois países se enfraqueceram no último ano devido à ira de Pyongyang sobre as políticas do presidente Lee Myung-bak, que tomou posse há um ano e acabou com o fluxo livre de ajuda incondicional ao seu empobrecido vizinho.

As conversas sobre Kaesong seriam as primeiras de cunho econômico entre os dois países, tecnicamente ainda em guerra, desde que Lee passou a exercer o cargo em fevereiro de 2008.

O parque industrial de Kaesong, uma vez saudado como modelo de cooperação econômica, tem sido foco de conflito nos últimos meses com a Coreia do Norte expulsando trabalhadores sul-coreanos e encerrando as operações.

A Coreia do Norte tem mantido sob custódia um trabalhador sul-coreano há cerca de três semanas no complexo construído por uma afiliada do grupo Hyundai. A mídia local afirma que o trabalhador irritou os norte-coreanos ao fazer comentários depreciativos sobre seu sistema político comunista.

PROLIFERAÇÃO

A Coreia do Sul adiou o anúncio sobre sua adesão à Iniciativa de Proliferação de Segurança (IPS) encabeçada pelos Estados Unidos aguardada para este fim de semana, depois da proposta de diálogo vinda do Norte, segundo a imprensa local.

O presidente Lee teve uma reunião de emergência com ministros no sábado e decidiu pelo adiamento, mas manteve a posição de se juntar a IPS, afirmou Yonhap.

Juntar-se a IPS envolve compartilhamento de inteligência e interceptação de embarques suspeitos de carregar partes ou equipamentos para armas de destruição em massa. Ela poderia afetar os braços de comércio da coreia do Norte -- uma de suas poucas fontes de moeda estrangeira.

A agência de notícias oficial da Coreia do Norte, KCNA, citou um porta-voz de seu exército dizendo que aderir à iniciativa era "uma declaração de confronto sem disfarces e uma declaração de guerra".

A KCNA afirmou que os exércitos norte-coreanos aumentarão sua capacidade de defesa, incluindo dissuasor nuclear, sem ser limitada por acordos de prévias negociações desarmamentistas internacionais. A agência acrescentou que o Exército nunca teve nenhuma esperança sobre as conversas nucleares entre seis países, incluindo as duas Coreias, os EUA, a Rússia, a China e o Japão.

"O grupo Lee de traidores nunca deve se esquecer que Seul está a apenas 50 quilômetros do Limite de Demarcação Militar", pontuou.

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