A Coréia do Norte anunciou nesta terça-feira que em meados de agosto suspendeu o desmantelamento de suas instalações nucleares para protestar contra a decisão dos Estados Unidos de não retirá-la da lista de países que apóiam o terrorismo, anunciou a agência governamental KCNA.

"Como os Estados Unidos se negaram a cumprir o acordo, a resolução do problema nuclear na península coreana se deparou com um grande problema", afirmou o porta-voz do ministro norte-coreano das Relações Exteriores citado pela KCNA, a agência de notícias do regime comunista de Pyongyang.

Um dos primeiros países a reagir foi o vizinho Japão, que disse estar "preocupado" com esta decisão e pressionará as autoridades de Pyongyang para que mantenham esse processo, disse um porta-voz do Ministério japonês das Relações Exteriores nesta terça-feira.

Os trabalhos de desmantelamento foram suspensos no dia 14 de agosto e as autoridades também planejam reativar o reator de Yongbyon, desativado em meados de julho de 2007, segundo a mesma fonte.

Yongbyon, localizada cerca de 100 km ao norte de Pyongyang, é considerada a espinha dorsal do programa nuclear norte-coreano.

"Em um primeiro momento, decidimos deter o processo de desnuclearização posto em vigor pelo acordo de 3 de outubro (...). Depois, encaramos a reparação das instalações de Yongbyon", indicou o informe da KCNA.

Yongbyon abriga um reator de pesquisa com capacidade de 5 megawatts (MW), outros dois com capacidade maior, mas ainda em construção, e um centro de tratamento de plutônio.

A Coréia do Norte negocia desde 2003 o fim de seu programa nuclear em troca de uma ajuda energética e de garantias diplomáticas e de segurança. Após o acordo assinado em outubro de 2007, fechou seu principal reator nuclear e começou a desmantelá-lo.

Pyongyang deu um novo passo ao entregar no dia 26 de junho um inventário detalhado de suas atividades nucleares, embora as discussões estejam travadas no capítulo das modalidades de verificação.

A decisão da Coréia do Norte se deve à rejeição dos Estados Unidos de retirar a Coréia do Norte de sua lista de países que apóiam o terrorismo. Washington considera que Pyongyang não respondeu em junho às questões sobre o suposto envolvimento da Coréia do Norte em programas nucleares da Síria.

Sair da lista negra dos Estados Unidos permitiria à Coréia do Norte ter acesso a empréstimos de organismos internacionais e a programas de ajuda norte-americanos.

"Os Estados Unidos se equivocam se pensam que poderão intervir aqui assim como fizeram no Iraque", disse um porta-voz do Ministério norte-coreano das Relações Exteriores.

Esse novo bloqueio ocorre no momento em que o presidente chinês, Hu Jintao, cujo país acolhe as negociações a respeito desse tema, se encontrava em visita oficial a Seul.

Nesta terça-feira pela manhã, o presidente Hu e o chefe de governo sul-coreano Han Seung-Soo, reafirmaram a sua vontade de convencer Pyongyang a renunciar as suas ambições atômicas.

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