Coreia do Norte se diz preparada para lançar foguete

O governo da Coreia do Norte anunciou nas primeiras horas deste sábado que o lançamento de um foguete que supostamente colocará um satélite de telecomunicações em órbita acontecerá em breve, segundo a agência estatal KCNA. Os preparativos para o lançamento do satélite experimental de telecomunicações Kwangmyongsong-2, que será carregado pelo foguete Unha-2, estão completos na plataforma de lançamentos da área costeira a leste da Coreia do Norte, informou a agência estatal.

BBC Brasil |

O lançamento do artefato, que a comunidade internacional suspeita tratar-se na verdade de um míssil de longo-alcance, deve acontecer na plataforma de Musudan-ri, no nordeste do país.

Segundo correspondentes, ainda não está claro o momento exato em que acontecerá o teste, mas o governo norte-coreano já havia alertado organizações internacionais de que o lançamento aconteceria entre os dias 4 e 8 de abril, no período que vai das 23h às 4h (horário de Brasília).Segundo a agência sul-coreana Yonhap, equipamentos de monitoramento foram posicionados nas proximidades da plataforma de lançamentos, o que pode indicar que o teste acontecerá nas próximas horas.

Suspeitas

No final do mês passado, o governo norte-coreano havia anunciado lançamento do artefato, que teria "propósitos pacíficos".

Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, no entanto, suspeitam que, na verdade, o país esteja planejando um teste com um míssil Taepodong-2, que, segundo especialistas, teria a capacidade de atingir os Estados norte-americanos do Alasca de do Havaí.

O Taepodong-2 foi testado pela primeira vez pelo governo norte-coreano em 2006, mas falhou menos de um minuto após o lançamento.

Após o teste fracassado, a Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução que proíbe a Coreia do Norte de desenvolver atividades balísticas.

Segundo especialistas, tanto o lançamento de um satélite quanto o teste de um míssil utilizariam Taepodong-2.

"Resposta firme"

No início desta semana, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, afirmaram que, caso Pyongyang lance o foguete, sofrerá uma "resposta firme e conjunta".

Já o governo do Japão afirmou que derrubará o artefato se ele ameaçar o território japonês.

Tóquio também enviou duas embarcações militares equipadas com tecnologia para interceptar mísseis para o Mar do Japão.

Os militares norte-coreanos afirmaram que haverá uma retaliação imediata caso haja alguma tentativa de interceptar o foguete.

Mísseis

Acredita-se que a Coreia do Norte possua mais de 800 mísseis balísticos, o que inclui artefatos de longo-alcance, que poderiam atingir o território dos Estados Unidos.

Os primeiros mísseis táticos do governo norte-coreano foram fornecidos pela União Soviética, em 1969. Já o primeiro míssil do tipo Scud, segundo informações, foi obtido via Egito no ano de 1976.

O governo egípcio teria fornecido mísseis Scud-B para a Coreia do Norte como retribuição pelo apoio de Pyongyang durante a Guerra do Yom Kippur, contra Israel, em 1973.

Por volta do ano de 1984, a Coreia do Norte já era capaz de fabricar seus próprios mísseis Scud-B e desenvolveu outras duas novas versões, o Scud-C e o Scud-D.

Desde então, o país comunista também desenvolveu um míssil de alcance médio, o Nodong, e um artefato de longo-alcance baseado na tecnologia do Scud, o Taepodong.

Em julho de 2006, o país testou uma versão modificada do Taepodong, chamada de Taepodon-2, que, segundo especialistas tem um alcance de 6 mil quilômetros.

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