Coréia do Norte retira lacres de Yongbyon e proíbe inspeções da AIEA

A Coréia do Norte retirou os lacres e as câmeras de vigilância da central nuclear de Yongbyon e proibiu a entrada de inspetores e na próxima semana voltará a transportar material físsil para a usina, informou nesta quarta-feira a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

AFP |

"Não há mais lacres nem equipamentos de vigilência na área de reprocessamento de material nuclear de Yongbyon", afirmou em Viena a porta-voz da AIEA, Melissa Fleming.

"A retirada do material foi concluída hoje", disse Meling ao divulgar o relatório apresentado pelo subdiretor da AIEA, Olli Heinonen, aos 35 ministros da organização vinculada à ONU reunidos esta semana na capital austríaca.

O regime comunista norte-coreano, que havia se comprometido a desmantelar o complexo de Yongbyon em troca de ajuda energética, exigiu na segunda-feira o direito de retirar os equipamentos de vigilância, em um sinal claro de endurecimento de sua postura nesta polêmica questão.

Segundo diplomatas ligados à AIEA, os inspetores da agência retiraram na terça-feira e quarta-feira uma centena de lacres e de 20 a 25 câmeras.

Depois de ter acatado a exigência de Pyongyang, os inspetores foram expulsos do complexo e receberam a informação de que não teriam mais acesso à central, informou Melissa Fleming.

As autoridades norte-coreanas indicaram ainda que planejavam voltar a introduzir material nuclear na usina de reprocessamento dentro de uma semana.

O complexo de Yongbyon, 96 quilômetros ao norte de Pyongyang, é a principal instalação nuclear da Coréia do Norte. A central tem um reator de pesquisa com capacidade de cinco megawatts (mw), de modelo soviético, e otrous dois de maior capacidade, mas ambos ainda em construção, além de um centro de tratamento de plutônio.

De acordo com o diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos (CIA), Michael Hayden, Yongbyon produziu, antes do fechamento em julho de 2007, uma quantidade de plutônio suficiente para fabricar meia dúzia de bombas atômicas.

A Coréia do Norte, que testou sua primeira bomba atômica em outubro de 2006, anunciou em outubro do ano passado que abandonaria o programa nuclear em troca de ajuda energética, dentro de negociações iniciadas em 2003 com cinco países (Estados Unidos, China, Rússia, Coréia do Sul e Japão).

Como prova de boa vontade, as autoridades norte-coreanas desativaram o reator de Yongbyon e demoliram, em junho deste ano, sua torre de esfriamento.

Porém, as discussões travaram em torno da questão das modalidades de verificação das operações de desmantelamento e as autoridades norte-coreanas passaram a ameaçar, em agosto, reativar o reator, como forma de protesto contra a recusa de Washington de retirar o regime de Pyongyang da lista de países que apóiam grupos terroristas.

Sair desta relação abriria ao empobrecido país asiático a porta da ajuda de organismos internacionais e de entidades financeiras americanas.

Porém, os Estados Unidos exigiam que a Coréia do Norte aceitasse previamente um mecanismo completo de verificação, com inspeções de surpresa dos locais e acesso a amostras de materiais e equipamentos.

A Coréia do Sul se declarou "muito preocupada" com as últimas decisões norte-coreanas, assim como o embaixador dos Estados Unidos na AIEA, Gregory Schulte.

O governo americano afirmou que a Coréia do Norte deveria reconsiderar sua proibição a inspeções da AIEA e voltar a cooperar com a agência, pois em caso contrário o regime ditatorial leva o país para o isolamento.

spm/fp

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