Coreia do Norte responde com 2 novos mísseis a condenação da ONU

Cecilia Heesook Paek. Seul, 26 mai (EFE).- A Coreia do Norte respondeu hoje com o lançamento de dois novos mísseis de curto alcance a enérgica condenação internacional gerada pelo teste nuclear norte-coreano na segunda-feira e o aviso de uma provável resolução da ONU.

EFE |

Segundo a agência sul-coreana "Yonhap", o regime norte-coreano disparou hoje dois mísseis de curta distância no Mar do Leste (Mar do Japão) e está preparando novos lançamentos de projéteis anticruzador KN-01, com um alcance de 160 quilômetros, em sua costa ocidental.

Um dia depois do teste nuclear que desafiou o mundo, estimado por Seul entre três e quatro vezes superior às bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, o regime de Pyongyang lança ameaças de que está disposto à batalha com os "hostis" Estados Unidos.

"Nosso Exército e povo estão em plena preparação para um combate contra qualquer tentativa americana de um ataque preventivo", afirma o jornal do Partido dos Trabalhadores norte-coreano, citado pela agência estatal "KCNA".

Ontem, a Coreia do Norte realizou seu segundo teste nuclear subterrâneo, que afirma ter sido mais potente do que o de outubro de 2006, e já lançou três mísseis de curto alcance, o que, segundo o Japão, gerará uma nova resolução de condenação da ONU.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, disse que esse novo teste atômico gerará uma resposta da comunidade internacional "como nunca se viu".

"Vamos tomar medidas de resposta fortes como nunca se viu, em cooperação com os EUA e as outras nações que fazem parte do diálogo a seis lados, como Japão, China e Rússia", disse o presidente sul-coreano.

Tanto Lee quanto o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, passaram parte do dia ao telefone - entre outros, com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama - para pressionar a favor de uma resposta "forte" das Nações Unidas ao teste nuclear norte-coreano, que Tóquio acredita que deve passar por uma resolução "mais rígida" do que as anteriores.

Fontes diplomáticas da ONU citadas pela agência japonesa "Kyodo" indicaram que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido), junto com Japão e Coreia do Sul, "chegaram a um acordo de uma nova resolução sobre o teste nuclear da Coreia do Norte".

Obama - que, segundo alguns especialistas, seria o alvo destes recentes movimentos norte-coreanos, para atraí-lo a negociações bilaterais - concordou com Lee e Aso na necessidade de conseguir uma resposta forte e conjunta da ONU à crise nuclear.

Seul acredita que uma medida eficaz seria impedir as exportações e as importações norte-coreanas, para deter seu desenvolvimento nuclear e de seu programa de mísseis, já que a Coreia do Norte importa quase todos os componentes para desenvolver esse armamento.

A ONU debate ampliar as sanções a todas as empresas norte-coreanas envolvidas no desenvolvimento nuclear, já que resoluções anteriores só afetaram três companhias, de uma lista de doze, devido à oposição chinesa.

A Coreia do Sul também anunciou hoje, após muitos meses de dúvidas, sua participação plena na Iniciativa de Segurança contra a Proliferação (PSI) de armas de destruição em massa, uma campanha liderada pelos EUA contra este tipo de armamento.

Antes, a Coreia do Norte tinha afirmado que, se Seul aderisse ao PSI, consideraria isso uma "declaração de guerra", por isso, até agora, o Governo sul-coreano tinha evitado o tema.

Agora, para o ministro de Assuntos Exteriores sul-coreano, Yu Myung-hwan, fazer parte do PSI é algo "natural" que ajudará a "controlar o desenvolvimento pela Coreia do Norte de material perigoso".

Apesar de tudo o que aconteceu esta semana, o ministro sul-coreano deixou "aberta a porta do diálogo" com a Coreia do Norte, mas admitiu que é "difícil" nas atuais circunstâncias.

Os serviços de inteligência sul-coreanos não descartam que, nos próximos dias, o regime da Coreia do Norte lance um míssil balístico intercontinental, como avisou em 29 de abril, dia em que ameaçou pela primeira vez realizar um novo teste nuclear. EFE ce-psh/an

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