Coreia do Norte relaxa restrições a livre mercado

A Coreia do Norte começou a relaxar restrições em alguns mercados privados, de acordo com o serviço de inteligência da Coreia do Sul. A iniciativa teria sido em resposta a uma crescente insatisfação popular depois da valorização da moeda norte-coreana, o won, em novembro, que prejudicou drasticamente a poupança de várias pessoas.

BBC Brasil |

Segundo o correspondente da BBC na capital sul-coreana, Seul, John Sudworth, a reforma monetária parece ter sido uma tentativa do líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, de garantir o controle do Estado sobre a economia e reprimir a crescente atividade de livre mercado.

Mas, segundo Sudworth, as operações no mercado livre são, para muitos norte-coreanos, a única maneira de conseguir alimentos.

Um porta-voz do serviço de inteligência da Coreia do Sul disse que sinais de um relaxamento nas restrições foram detectados "em vários lugares".

Sudworth disse que comerciantes que cruzaram a altamente controlada fronteira entre a Coreia do Norte e a China tinham dado relatos de inflação descontrolada, falta de alimentos e insatisfação popular nas últimas semanas.

Organizações com contatos na Coreia do Norte disseram que algumas pessoas atacaram agentes de segurança que patrulhavam mercados.

A situação se deteriorou desde 30 de novembro, quando o governo ordenou que as antigas cédulas do won deveriam ser trocadas por novas em uma proporção de cem por uma.

O montante total que cada pessoa podia trocar era limitado, fazendo com que todo o excedente - dinheiro vivo que muitas pessoas mantinham como poupança - perdesse o valor.

Comerciantes que agiam no mercado negro foram particularmente atingidos, levando à escassez de alimentos e ao aumento da inflação.

Reversão
Agora, com a reversão desta política, os mercados poderão operar mais livremente.

A Coreia do Norte já tinha introduzido algumas reformas em 2002, permitindo que as pessoas comprassem e vendessem bens em mercados livres.

Estes mercados se tornaram cada vez mais importantes para os norte-coreanos, oferecendo produtos como frutas, roupas e aparelhos eletrônicos importados que não podiam ser achados em lojas do Estado.

Alguns analistas dizem que a principal razão para a valorização da moeda foi controlar a classe média que vem emergindo, e que foi forjada atuando no mercado livre.

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