Coréia do Norte reforça fechamento de fronteiras

Por Jack Kim PYONGYANG (Reuters) - A Coréia do Norte está tentando se isolar ainda mais, e na quinta-feira surgiu a notícia de que há restrições no acesso a partir da aliada China, enquanto o governo ignora apelos contra sua ameaça de fechar totalmente a fronteira com a Coréia do Sul.

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Na véspera, Pyongyang disse que não autorizaria que inspetores estrangeiros retirassem amostras de uma usina que enriquece plutônio, o que pode atrasar a implementação de um acordo de desarmamento do país comunista.

Esse fechamento coincide com especulações de que o dirigente Kim Jong-il, 66 anos, teria sofrido um derrame e possivelmente deixado o regime acéfalo.

"Ao restringir o fluxo de visitantes chineses, a Coréia do Norte parece tentar controlar melhor a sua situação interna, especialmente quando os supostos problemas de saúde de Kim Jong-il recebem atenção global", disse Park Young-ho, do Instituto para a Unificação Nacional, na Coréia do Sul.

A China é a única aliada (ou quase isso) da Coréia do Norte, e as ligações rodo-ferroviárias com esse vizinho são o único contato comercial do país com o resto do mundo.

Autoridades dos EUA disseram ao jornal The Financial Times que Pequim reforçou a presença militar na fronteira com a Coréia do Norte, para evitar uma possível onda de refugiados caso Kim deixe de controlar o regime.

Um porta-voz da chancelaria chinesa disse desconhecer "qualquer circunstância anormal na fronteira", mas agentes de viagens chineses disseram que os poucos turistas enviados à Coréia do Norte agora precisam ir de avião, e não mais de trem.

China e Coréia do Norte lutaram juntos na Guerra da Coréia (1950-53), e sua relação costuma ser descrita como "unha e carne".

O chanceler norte-coreano, Yu Myung-hwan, disse que o Norte pode estar tentando pressionar a comunidade internacional a oferecer mais ajuda em troca do desarmamento nuclear.

"Se considerarmos o claro padrão de negociação da Coréia do Norte, sua estratégia sempre foi a de criar uma crise antes de resolver alguma coisa, e de tentar usar isso para garantir mais concessões", disse ele num seminário.

O principal negociador nuclear da Coréia do Sul disse que o fechamento do regime na prática contraria a promessa feita no mês passado de permitir mais verificações sobre os objetivos do seu programa nuclear.

(Reportagem adicional de Kim Junghyun e Jon Herskovitz em Seoul e Ben Blanchard em Pequim)

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