Coreia do Norte raciona comida para controlar população, diz ONU

TÓQUIO - O representante especial da ONU para os Direitos Humanos na Coreia do Norte, Vitit Muntarbhorn, afirmou hoje que as torturas pioraram no país comunista e que a ajuda alimentícia é utilizada para controlar a população, em entrevista coletiva, em Tóquio, na qual antecipou as conclusões prévias de um relatório.

EFE |

Muntarbhorn conclamou "todo o sistema da ONU a atuar" e lamentou que não haja um compromisso político para que o Conselho de Segurança se pronuncie sobre os direitos humanos na Coreia do Norte.

"Cerca de 8 milhões de pessoas sofrem escassez de alimentos e o Programa Mundial de Alimentos dispõe de reservas para apenas 1,8 milhão", afirmou.

Além disso, a Coreia do Norte mantém mais de 300 mil pessoas em campos de prisioneiros e de "reeducação" nos quais "pratica torturas e execuções públicas", afirmou o enviado da ONU, de nacionalidade tailandesa.

"Segundo meus relatórios, algumas prisões são como povoados onde se retém gente de todas as idades", assegurou.

O representante da ONU lembrou que a mulheres sofrem especialmente a discriminação da elite do país e são reprimidas duramente se tentarem comprar alimentos no mercado negro.

Quanto aos refugiados, assinalou que, embora no último ano tenha caído o número de norte-coreanos que tentam escapar do país pela fronteira com a China, "aumentaram os castigos".

O Estado, que gira em torno da personalidade do dirigente Kim Jong-il, exerce um ferrenho controle de comércio de subsistência, o que aumenta a dependência do Governo.

O representante tailandês da ONU exigiu de Pyongyang "ações imediatas" em matéria de direitos humanos e insistiu que o país precisa esclarecer a situação de sequestrados.

Ainda falta esclarecer o paradeiro de 17 pessoas raptadas pela Coreia do Norte, a maioria japoneses sequestrados no litoral japonês.

O enviado da ONU reuniu-se esta semana em Tóquio com o ministro de Relações Exteriores japonês, Hirofumi Nakasone, e parentes dos sequestrados e refugiados norte-coreanos, e assegurou que o Japão deve manter medidas de pressão e diálogo com Pyongyang.

"Se um país que não é capaz ou não está disposto a proteger seus cidadãos corresponde às leis internacionais defendê-los e, portanto, esse país não pode argumentar interferência em sua soberania", afirmou o representante da ONU.

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