Coreia do Norte prepara foguete; lançamento pode ser no sábado

Por Jon Herskovitz e Sean Maguire SEUL/LONDRES (Reuters) - A Coreia do Norte está finalizando os preparativos para o polêmico lançamento de um foguete, o que poderá acontecer já no sábado, disseram autoridades estrangeiras na sexta-feira.

Reuters |

Pyongyang afirma que se trata do lançamento de um satélite de comunicações, como parte de um programa espacial pacífico. Já EUA, Coreia do Sul e Japão o veem como um teste disfarçado do seu míssil de longo alcance Taepodong-2, o que seria proibido por causa de sanções da ONU em vigor desde 2006.

"Acho que está quase certo que a Coreia do Norte lançará o míssil", disse o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, a um pequeno grupo de jornalistas em Londres, onde participou da cúpula do G20.

Analistas dizem que o lançamento ajuda o líder norte-coreano, Kim Jong-il, a reforçar seu poder depois das suspeitas de que teria sofrido um derrame em agosto, e que a ameaça militar implícita lhe daria mais poderes para arrancar concessões de potências estrangeiras.

Lee disse na sexta-feira que a saúde de Kim parece ter melhorado e que ele aparentemente mantém seu poder intacto.

No teste de 2006 com o Taepodong-2, supostamente capaz de atingir o território norte-americano, o míssil se desintegrou após 40 segundos de voo.

A Coreia do Norte já havia anunciado que pretende lançar o foguete entre sábado e quarta-feira. Uma fonte norte-americana de defesa também confirmou que as ações observadas são consistentes com os preparativos para o lançamento.

A operação, no entanto, depende das condições climáticas. Para sábado, a previsão é de céu nublado e ventos moderadamente fortes.

Os EUA e seus aliados asiáticos cogitam novas punições a Pyongyang, mas vários diplomatas disseram à Reuters sob anonimato que não há planos para novas sanções da ONU contra o país. O ponto de partida seria o endurecimento da fiscalização sobre as sanções já em vigor.

A China, que tem certa proximidade política com Pyongyang, provavelmente vetaria novas sanções ou mesmo o endurecimento das atuais, que proíbem a venda de armas e artigos de luxo ao regime, segundo analistas.

O Japão mobilizou navios capazes de interceptar mísseis e prometeu abater eventuais destroços que possam cair sobre seu território. Mas Tóquio, Seul e Washington negam a intenção de abater o foguete propriamente dito, algo que a Coreia do Norte diz que encararia como um ato de guerra.

O regime comunista diz também que uma eventual punição da ONU ao país levaria à retomada das atividades em sua usina que produz plutônio para armas nucleares.

A Coreia do Norte vai depender dos relatos dos EUA e do Japão para saber até onde o foguete foi, já que o empobrecido país não possui um sistema de radares capaz de acompanhar um objeto além de um raio de mil quilômetros, segundo informação de fontes militares ao jornal sul-coreano JoongAng Ilbo.

(Reportagem adicional de David Morgan e Arshad Mohammed, em Washington, Louis Charbonneau, nas Nações Unidas, Kim Junghyun, em Seul, e Linda Sieg, em Tóquio)

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