Coréia do Norte prepara fechar fronteira com Coréia do Sul

Por Jonathan Thatcher SEUL (Reuters) - A Coréia do Norte afirmou nesta segunda-feira que vai fechar a fronteira com a Coréia do Sul, uma semana antes de começarem as negociações com o país vizinho e outras potências regionais que pressionam pela desistência do regime comunista na questão nuclear.

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A tensão na península sofre uma escalada desde que o presidente da Coréia do Sul, Lee Myung-bak, assumiu o cargo em fevereiro com a promessa de investir pesadamente na Coréia do Norte com a condição de que o regime interrompesse o desenvolvimento de um arsenal atômico.

A agência de notícias KCNA, da Coréia do Norte, disse que o fechamento da fronteira é o primeiro passo "a ser dado em relação com a eterna postura aberta de confronto das autoridades fantoches sul-coreanas contra a Coréia do Norte".

Mas o último acontecimento pareceu ser mais uma demonstração de força do que efetivamente uma ameaça, já que a Coréia do Norte vai continuar permitindo que alguns sul-coreanos administrem uma zona industrial pouco além da fronteira. Esse é um dos pontos mais significativos da relação econômica entre os dois países.

"(O Norte) nunca disse que interromperia a produção ou que expulsaria os trabalhadores relacionados ao processo de produção. Então, mesmo no pior dos casos, com as operações correndo com a metade da equipe, achamos que não haverá nenhum problema com a produção", disse Lee Eun-suk, da Shinwon Corp, que tem fábricas têxteis em Kaesong.

A retórica cada vez mais nervosa acontece após o fim de uma postura mais flexível da Coréia do Sul com a chegada de Lee ao poder.

No fim de semana, Lee deixou claro que não recuaria diante das ameaças da Coréia do Norte, que o acusa de tentar recomeçar a guerra entre os dois países e que o alertou no mês passado estar pronta para reduzir o vizinho a pó.

A Coréia do Sul exige que a Coréia do Norte suspenda a medida, dizendo que esse seria um revés sério nos frágeis laços econômicos dos dois países e um importante recuo em sua relação ainda complicada.

DIÁLOGO INTERNACIONAL

A última ameaça ocorreu após a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, anunciar para 8 de dezembro, na China a próxima rodada de diálogo internacional sobre o programa nuclear da Coréia do Norte.

Anos de negociações entre as duas Coréias, China, Japão, Rússia e Estados Unidos estão atualmente parados em meio às exigências de que a Coréia do Norte permita a verificação de que foram tomadas medidas pelo desarmamento.

Pyongyang se recusa a permitir que amostras sejam retiradas do país para testes.

"Os norte-coreanos levaram 30 anos para conseguir um programa de armas nucleares. Eu acho que seria preciso mais de dois anos para desfazê-lo", disse Rice a repórteres a bordo do Air Force One, quando perguntada se estava decepcionada com o ritmo das conversas.

Alguns analistas dizem que o líder norte-coreano, Kim Jong-il, nunca desistirá da única ferramenta que o país tem para ganhar concessões do resto do mundo.

(Reportagem adicional de Jack Kim e Kim Jung-hyun em Seul, David Alexander a bordo do Air Force One)

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