Coreia do Norte prende jornalistas americanas

Duas jornalistas americanas foram detidas por guardas de fronteira da Coreia do Norte depois de cruzaram ilegalmente um rio na fronteira com a China, informou uma fonte diplomática.

AFP |

"As duas jornalistas de televisão americanas estão detidas desde terça-feira pelos guardas de fronteira por um suposto crime de violação da fronteira", afirmou a fonte, que pediu anonimato.

As duas mulheres, que trabalham para a Current TV, um canal com sede na Califórnia, foram presas no dia 17 de março quando gravavam imagens do lado norte-coreano do rio Tumen, que estabelece a fronteira entre Coreia do Norte e China.

A imprensa sul-coreana divulgou versões divergentes do caso.

Segundo o canal de televisão YTN, que citou uma autoridade sul-coreana sob anonimato, a detenção aconteceu na terça-feira quando as duas jornalistas, que estavam em território chinês segundo esta versão, ignoraram várias advertências dos guardas de fronteira para que interrompessem as filmagens.

Dois soldados de fronteira norte-coreanos entraram então no território chinês, na altura do rio Tumen, para prender as jornalistas.

O jornal sul-coreano Munhwa Ilbo informou a detenção na terça-feira de apenas uma jornalista, chamada de Ming, na altura do rio Yalu, também na fronteira entre Coreia do Norte e China.

Segundo a publicação, que cita uma declaração de uma fonte diplomática em Seul, a libertação da repórter estava sendo negociada com o regime comunista norte-coreano.

O ministério sul-coreano das Relações Exteriores se negou a comentar a notícia e um funcionário da embaixada dos Estados Unidos em Seul afirmou que qualquer informação deve ser solicitada ao Departamento de Estado americano.

Em um incidente separado, o Exército da Coreia do Sul prendeu na quarta-feira um japonês de 40 anos que tentava cruzar a fronteira entre as Coreias, no que a imprensa local considerou um ato de protesto.

Os incidentes acontecem em um momento de incerteza na península da Coreia. O regime de Pyongyang está preparando o que afirma ser o lançamento de um satélite, aparentemente para o início de abril.

Washington e Seul temem que o lançamento seja na verdade o teste de um míssil de longo alcance, em tese capaz de atingir o Alasca. Tóquio já advertiu que derrubará o projétil caso siga em direção ao Japão.

Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte se mostra indignada com os recentes exercícios militares de Estados Unidos e Coreia do Sul na região, que descreve como preparativos para uma invasão.

O regime comunista já provocou uma crise internacional em 1998 ao testar um míssil de longo alcance Taepodong-1, que sobrevoou o Japão antes de cair no Oceano Pacífico.

Na ocasião, Pyongyang também anunciou que se tratava de um lançador de satélites.

País com armas nucleares, a Coreia do Norte está desde 2003 em complexas negociações multilaterais para obter o desmantelamento das instalações atômicas do país em troca de ajuda econômica e garantias de segurança.

No entanto, as conversações estão bloqueadas no momento.

ckp/fp

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