Coreia do Norte pode enfrentar mais do que condenação, dizem EUA

WASHINGTON - A Coreia do Norte corre o risco de enfrentar condenação internacional ou pior se seguir com seus planos de um lançamento espacial que os Estados Unidos suspeitam ocultar um programa de mísseis balísticos, disse o diretor de Inteligência Nacional dos EUA, Dennis Blair, nesta quinta-feira.

Redação com agências internacionais |

AP

Coreia do Sul pretende usar navios para monitorar lançamento

Blair também afirmou a repórteres que o líder norte-coreano, Kim Jong-Il, segue com o controle total do país após se recuperar de um suposto derrame no ano passado e seria irreal esperar que qualquer outra pessoa do país assuma o poder.

De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, enviados do Japão, Coreia do Sul e EUA vão se reunir em Washington para consultas sobre a Coreia do Norte, que está com um míssil de longo alcance posicionado para o lançamento.

O porta-voz do Departamento de Estado Gordon Duguid disse que ainda não foi finalizada a programação das reuniões, mas que deve haver conversas entre Estados Unidos e os representantes dos outros dois países, separadamente, e também um diálogo informal entre os três.

Desconfiança

No final do mês passado, o governo norte-coreano havia anunciado o lançamento de um foguete que, segundo Pyongyang, seria usado para colocar em órbita um satélite de telecomunicações.

No entanto, os Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul suspeitam que, na verdade, o país esteja planejando um teste com um míssil Taepodong-2, que, segundo especialistas, teria a capacidade de atingir os Estados norte-americanos do Alasca e do Havaí.

De acordo com o governo norte-coreano, o lançamento do artefato, que teria "propósitos pacíficos", está programado para acontecer entre os dias 4 e 8 de abril. Teme-se, no entanto, que o teste possa acontecer já nos próximos dias.

O Taepodong-2 foi testado pela primeira vez pelo governo norte-coreano em 2006, mas falhou menos de um minuto após o lançamento.

Após o teste fracassado, a Organização das Nações Unidas aprovou uma resolução que proíbe a Coreia do Norte de desenvolver atividades balísticas.

Segundo especialistas, tanto o lançamento de um satélite quanto o teste de um míssil utilizariam Taepodong-2.

Provocação

Falando durante sua visita oficial ao México, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que uma eventual tentativa por parte da Coreia do Norte de lançar um foguete seria considerada uma "provocação" pelos EUA.

"Nós fomos absolutamente claros. A intenção que foi comunicada pelos norte-coreanos de lançar um míssil, para qualquer propósito, será considerada um ato de provocação", disse Hillary.

A secretária de Estado americana afirmou que seu país poderá recorrer à Organização das Nações Unidas e que um teste balístico comprometeria as chamadas "negociações de seis partes".

Estas negociações - das quais também participam Coreia do Sul, Japão, Rússia e China - pretendem fazer com que Pyongyang aceite desmantelar seu programa nuclear em troca de auxílio internacional.

"Este caminho seguido pela Coreia do Norte terá um custo e consequências nas negociações de seis partes, que gostaríamos de ver retomadas. Pretendemos levar esta violação, caso ela aconteça, ao Conselho de Segurança na ONU".

Na terça-feira, o governo norte-coreano já havia afirmado que qualquer sanção da ONU imposta por causa do lançamento significaria o fim das negociações sobre o desmantelamento de seu arsenal nuclear.

O governo japonês já ameaçou enviar um navio equipado como um interceptador de mísseis para o Mar do Japão para derrubar o artefato norte-coreano.

Nesta quarta-feira, o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, afirmou que o conselho de segurança do Japão irá se reunir ainda nesta semana para tratar dos preparativos para a derrubada do míssil, caso ele ameace o país.

A Coreia do Norte alertou os EUA, Japão e Coreia do Sul a não interferirem no lançamento.

(Com informações da Reuters e da BBC)

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