Coreia do Norte pede reunião com presidente sul-coreano

Seul, 22 ago (EFE).- A Coreia do Norte manifestou hoje a intenção de melhorar sua relação com a Coreia do Sul ao pedir um encontro entre o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, e a delegação norte-coreana enviada a Seul por ocasião do funeral do ex-chefe de Estado Kim Dae-jung.

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Em Seul, as duas Coreias mantiveram neste sábado seu primeiro diálogo de alto nível em quase dois anos. A conversa foi entre o ministro sul-coreano de Unificação, Hyun In-taek, e o chefe da delegação norte-coreana, Kim Yang-gon, que destacou a "imperativa necessidade de as relações entre o Norte e o Sul serem melhoradas", segundo a agência "Yonhap".

Ainda hoje, os enviados norte-coreanos voltarão a se encontrar com Hyun durante um jantar, por conta do qual os visitantes, que embarcariam de volta para Pyongyang às 2h (14h de Brasília), prolongarão sua estada em Seul.

A princípio, a visita da delegação da Coréia do Norte à capital sul-coreana duraria dois dias. Nesse período, seus seis membros apenas prestariam uma homenagem ao ex-presidente Kim Dae-jung, símbolo da reconciliação entre as duas Coreias.

A mudança de planos, porém, acabou confirmando as especulações de uma aproximação geradas pelo anúncio da viagem.

Durante os cerca de 90 minutos que durou a reunião entre o ministro sul-coreano e o representante norte-coreano, este último pediu um encontro de sua delegação com o presidente da Coreia do Sul, o conservador Lee Myung-bak, informaram fontes do Governo de Seul.

O pedido fez surgir rumores sobre a possibilidade de o chefe da delegação e secretário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, Kim Ki-nam, transferir uma mensagem do líder norte-coreano, Kim Jong-il.

Desde que Lee Myung-bak chegou à Presidência da Coreia do Sul em fevereiro do ano passado, seu Governo se caracterizou por um tratamento linha-dura em relação à Coreia do Norte, que nos últimos meses deu alguns passos polêmicos.

Em abril, Pyongyang anunciou que deixaria as negociações multilaterais iniciadas em 2003 entre Estados Unidos, Rússia, China, as duas Coreias e Japão para alcançar a desnuclearização do regime comunista.

Pouco tempo depois, a Coreia do Norte lançou um foguete de longo alcance e fez seu segundo teste nuclear. Em resposta, o Conselho de Segurança (CS) aprovou uma nova resolução com sanções mais duras ao país asiático.

Em meio a esses atritos, Pyongyang, no começo deste mês, começou a dar indícios de distensão ao receber o ex-presidente americano Bill Clinton e ao libertar duas jornalistas americanas detidas em março.

Na semana passada, a viagem feita à capital norte-coreana pela presidente do grupo Hyundai, Hyun Jung-eun, que foi negociar a libertação de um de seus empregados, também aproximou um pouco mais as duas nações desde a morte de Kim Dae-jung.

Outro gesto conciliatório da Coreia do Norte foi a normalização, iniciada ontem, da circulação de trabalhadores e de trens de carga procedentes da Coreia do Sul pela fronteira.

Kim Dae-jung, presidente da Coreia do Sul entre 1998 e 2003, foi uma das figuras mais importantes da democracia desse país e o primeiro político a se reunir com Kim Jong-il durante a histórica cúpula de 2000, em Pyongyang. EFE co/sc

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