Cecilia Heesook Paek Seul, 27 jun (EFE).- A Coréia do Norte destruiu hoje a torre de refrigeração da usina nuclear de Yongbyon, a principal instalação atômica do regime comunista, em um ato simbólico para mostrar sua boa vontade em relação à desnuclearização.

Segundo a televisão sul-coreana "MBC", presente no local junto com outras redes estrangeiras, a torre de mais de 20 metros de altura desabou pouco depois das 16h (4h de Brasília).

Esse ato, que acontece um dia depois de a Coréia do Norte entregar à China uma declaração de seu potencial nuclear, simboliza a desnuclearização norte-coreana, mas o processo de desmantelamento começou em novembro do ano passado.

A princípio, o evento seria transmitido ao vivo por várias televisões internacionais, mas, segundo fontes da Casa Presidencial sul-coreana, isso não foi impossível devido à falta de instalações necessárias para a emissão das imagens por satélite.

A torre destruída tinha pouco mais de 20 metros e, embora já tivesse sido inutilizada durante o processo de desnuclearização, foi utilizada no centro nuclear de cinco megawatts de Yongbyon, considerado o símbolo do programa nuclear norte-coreano.

Nesta usina é onde o país comunista processou tanto o plutônio usado para construir a arma nuclear que testou no final de 2006 quanto o utilizado em suas bombas nucleares, uma quantidade indeterminada.

Nesta quinta-feira, os Estados Unidos responderam ao gesto norte-coreano com a promessa de tirar a Coréia do Norte da lista de países patrocinadores do terrorismo, mas a declaração oferecida por Pyongyang não responde todas as dúvidas sobre seu potencial nuclear real.

Segundo um funcionário sul-coreano citado pelo jornal "Munhwa Ilbo", as 60 páginas de declaração nuclear contêm três partes: a lista completa de instalações nucleares norte-coreanas, o plutônio extraído e sua utilização, e a quantidade de urânio que possui.

A declaração de que possui urânio não significa que a Coréia do Norte confirme que mantém um programa de enriquecimento desse material, o que Pyongyang veio negando constantemente desde que os EUA denunciaram a existência do mesmo, em 2002.

Além disso, a declaração também não diz nada sobre a suposta colaboração no campo atômico entre a Síria e a Coréia do Norte, nem sobre o arsenal de armas nucleares do regime norte-coreano, assunto que ficou para a fase seguinte de desnuclearização.

Durante a atual fase, a Coréia do Norte desmantelará todas suas instalações nucleares em troca de receber o petróleo prometido pelos países do diálogo multilateral e de retomar as relações com os EUA e Japão.

Esse último objetivo não será tão fácil, porque, embora o ato de hoje sirva para consagrar o perdão à Coréia do Norte, o Japão já mostrou sua intenção de "barrar" a volta de Pyongyang ao circuito diplomático internacional se este não colaborar no assunto dos cidadãos japoneses seqüestrados nas décadas de 70 e 80.

No entanto, coincidindo com a demolição de hoje, a televisão sul-coreana "YTN" adiantou que na próxima segunda-feira serão retomadas as conversas entre as duas Coréias, Japão, Rússia, China e EUA.

Os países do Grupo dos Oito (G8, os sete países mais desenvolvidos e a Rússia), reunidos hoje no Japão, decidiram avançar com o diálogo multilateral para conseguir a verificação completa de todos os detalhes da declaração que a Coréia do Norte entregou ontem à China.

Sem esperar esta verificação, o presidente dos Estados Unidos, George W Bush, anunciou ontem mesmo o início do processo para retirar a Coréia do Norte da lista dos países que patrocinam o terrorismo e a suspensão de sanções comerciais sobre o regime comunista.

O processo para retirar a Coréia do Norte da relação de países patrocinadores do terrorismo levará 45 dias e, quando acabar o prazo, Pyongyang poderá voltar a ter os privilégios de fazer parte do sistema financeiro internacional. EFE ce/an

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