Autoridades do Japão dizem que lançamento falhou; regime de Kim Jong-un evitou fazer comentários.

Imagem de 28/3/2012 da DigitalGlobe mostra área de lançamento norte-coreana de Tongchang-ri na costa noroeste do país
AP
Imagem de 28/3/2012 da DigitalGlobe mostra área de lançamento norte-coreana de Tongchang-ri na costa noroeste do país
O governo da Coreia do Sul afirmou que a Coreia do Norte lançou um foguete de longo alcance às 7h40 de sexta-feira no horário local (19h40 de quinta em Brasília). O lançamento teria falhado, informou o governo japonês, acrescentando que o foguete caiu no mar e não atingiu o seu território.

A notícia não foi confirmada pelo regime norte-coreano, que evitou fazer comentários sobre o assunto. "Por enquanto não há informação", afirmou um porta-voz do Comitê de Tecnologia Espacial da Coreia do Norte segundo a agência de notícias japonesa "Kyodo". As autoridades divulgarão informações relevantes "em seu devido tempo", completou.

Segundo governo do Japão o foguete aparentemente o projétil fracassou e caiu no mar um minuto após sua decolagem.

Um funcionário do Ministério da Defesa japonês indicou, segundo a televisão pública "NHK", que tudo aponta que o foguete ascendeu 120 quilômetros e depois se dividiu em quatro fragmentos, antes de cair no Mar Amarelo. Analistas consultados pelo mesmo canal declararam que o projétil poderia ter sofrido um problema no momento em que sobrevoava o mar próximo à península coreana.

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A Coreia do Norte afirmou repetidas vezes que o foguete seria usado para enviar ao espaço um satélite de uso civil.

Mas países como a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão acreditam que o lançamento encobre um teste de mísseis balísticos de longo alcance que representaria uma violação a resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Se a notícia do lançamento for confirmada, deverá pôr fim a um acordo de 29 de fevereiro entre EUA e Coreia do Norte. Na ocasião, o novo líder norte-coreano, Kim Jong-un , aceitou uma moratória em seus programas nucleares e de mísseis em troca de 240 mil toneladas de ajuda alimentar.

Em março, os EUA anunciaram que esse plano de ajuda de alimentos à Coreia do Norte já está suspenso por considerar que o satélite que Pyongyang deve lançar viola uma resolução de 2009 do Conselho de Segurança que proíbe o lançamento de mísseis.

Coreia do Sul e Japão disseram que iriam interceptar o foguete norte-coreano caso ele representasse uma ameaça e invadisse seu território.

O lançamento é noticiado em uma semana politicamente movimentada na Coreia do Norte. O partido único do país nomeou Kim Jong-un - filho e sucessor do falecido ditador Kim Jong-il - membro da direção do Politburo (birô político) do Comitê Central.

Com isso, ele se tornou o líder máximo do braço político do regime comunista norte-coreano, um dia depois de ser nomeado primeiro-secretário do Partido dos Trabalhadores, o que por sua vez o transforma automaticamente em presidente da Comissão Militar Central da formação.

O congresso de quarta-feira precedeu a sessão da Assembleia Popular Suprema (Parlamento), convocada para sexta-feira, na qual Kim também poderá ser nomeado presidente da poderosa Comissão Nacional de Defesa, principal órgão do militarizado Estado norte-coreano.

Se Kim realmente for elevado à presidência do máximo corpo militar do país, categoria que ostentava Kim Jong-il até sua morte, em 17 de dezembro, a confirmação do jovem como líder da Coreia do Norte estará consolidada.

Com AP e EFE

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