SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte desafiou a condenação internacional ao seu último teste nuclear e disparou três mísseis de curto alcance nesta terça-feira. Com a tensão alta na região, a Coreia do Sul decidiu aderir a uma iniciativa liderada pelos Estados Unidos para interceptar navios suspeitos de transportarem armas de destruição em massa, algo que Pyongyang alerta que irá considerar como uma declaração de guerra.

A agência sul-coreana de notícias Yonhap citou uma fonte do governo em Seul segundo a qual o Norte testou um míssil terra-ar e um míssil terra-mar na sua costa leste. Os mísseis tinham alcance de cerca de 130 quilômetros.

Mais tarde, a Yonhap informou que Pyongyang havia disparado um terceiro míssil de curto alcance na terça-feira à noite.

A Coreia do Norte havia disparado três mísseis de curta distância na segunda-feira e fontes oficiais sul-coreanas ouvidas pela imprensa disseram que Pyongyang poderá testar mais mísseis na quarta-feira.

A segunda ação nuclear norte-coreana atraiu forte condenação de potências regionais, e o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que Pyongyang se porta como uma ameaça à segurança internacional.

Obama tranquilizou o governo sul-coreano quanto ao compromisso dos EUA em defender o país, oficialmente ainda em guerra contra a Coreia do Norte, apesar do armistício em vigor desde 1953.

Mas há pouco que Washington possa fazer para conter a isolada Coreia do Norte, punida por anos de sanções internacionais e tão miserável que precisa de ajuda estrangeira para alimentar os seus 23 milhões de habitantes.

A Coreia do Norte já está sob sanções da ONU por causa do seu primeiro teste nuclear, em 2006. O novo teste também deve gerar preocupações a respeito da proliferação de armas. Washington no passado já acusou Pyongyang de tentar vender tecnologia atômica a países como a Síria, e alguns analistas apontam uma estreita cooperação militar norte-coreana com o Irã.

"O teste nuclear (da Coreia do Norte) não só representa uma séria ameaça à paz e à estabilidade da península coreana, do Sudeste Asiático e além, mas também representa um grave desafio ao regime internacional de não-proliferação", disse o embaixador sul-coreano para assuntos de desarmamento, Im Han-tauck, a uma conferência da ONU em Genebra.

O Conselho de Segurança da ONU condenou por unanimidade o novo teste e está preparando uma resolução sobre o assunto.

(Reportagem adicional de Rhee So-eui, Kim Junghyun e Jon Herskovitz em Seul, Chris Buckley em Pequim, Arshad Mohammed, Paul Eckert e David Lawder em Washington, Louis Charbonneau nas Nações Unidas)

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