Coreia do Norte lança novo desafio com mísseis balísticos

Seul, 4 jul (EFE).- A Coreia do Norte lançou hoje pelo menos sete mísseis balísticos de sua costa leste, após ter testado outros quatro na quinta-feira, em um novo desafio à comunidade internacional e em uma demonstração do poderio militar do regime comunista.

EFE |

Os projéteis foram lançados entre as 8h e as 16h10 de hoje (20h de Brasília da sexta-feira e 4h10 de Brasília de hoje), a partir da base militar de Gitdaeryong, próxima à cidade litorânea de Wonsan, situada ao sudeste da Coreia do Norte, e têm um alcance de entre 400 e 500 quilômetros, confirmou hoje o Governo de Seul.

As autoridades sul-coreanas dizem que continuam estudando os testes para determinar as intenções do regime comunista e o tipo exato de mísseis que foi lançado, que se suspeita que são do tipo Scud e parecem ter caído no Mar do Leste (Mar do Japão) sem causar danos.

O teste de hoje ocorre dois dias depois de o regime disparar outros quatro mísseis de curto alcance, também a partir de sua costa leste e em direção ao Mar do Leste, e coincide com o Dia da Independência dos Estados Unidos, de acordo com a hora local, comemorado em 4 de julho.

O Governo sul-coreano considera que o teste norte-coreano de hoje é uma reação do regime comunista à pressão internacional, devido à data e ao tipo de projéteis utilizados, que Seul suspeita que são mísseis terra-terra do tipo Scud.

Este tipo de míssil, que Seul considera mais perigoso que os lançados na quinta-feira passada, já que seria utilizado hipoteticamente para atacar cidades sul-coreanas dentro de uma categoria de até 500 quilômetros, estavam sem ser usados desde julho de 2006.

Seul considera também os testes de hoje uma mensagem política do regime de Kim Jong-il em resposta às novas e mais duras sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) à Coreia do Norte, por causa do segundo teste nuclear do regime norte-coreano, realizado em 25 de maio.

"Os mísseis lançados em 2 de julho foram analisados como manobras militares (anunciadas na semana passada pela Coreia do Norte). No entanto, os de hoje parecem ter uma intenção política, já que foram disparados no Dia da Independência dos EUA", disse uma fonte anônima do Governo de Seul, citada pela agência "Yonhap".

As autoridades sul-coreanas não descartam também que sejam projéteis Rodong, um tipo de Scud melhorado.

Os mísseis Rodong podem alcançar uma distância de entre mil e 1,4 mil quilômetros, mas teriam sido modificados especialmente para a realização deste teste, com o objetivo de que caíssem antes.

O lançamento destes sete mísseis coincide também com um momento de incerteza sobre o futuro político do regime de Kim Jong-il, que - segundo especulações - teria sofrido um derrame cerebral em agosto do ano passado, segundo os serviços de inteligência da Coreia do Sul e dos EUA.

O teste balístico foi recebido com consternação pelos moradores da região, com o Japão, o primeiro a reagir, qualificando-o como um "sério ato de provocação contra a segurança regional" e "contra a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas".

O Governo japonês apresentou hoje um protesto formal à Coreia do Norte por este novo teste balístico, através dos canais diplomáticos do regime comunista em Pequim, e iniciou uma equipe especial de trabalho para estudar cuidadosamente este novo desafio.

A Coreia do Sul considerou o lançamento "um ato provocativo que viola claramente as resoluções 1.695, 1.718 e 1.874 da ONU, que proíbem a Coreia do Norte de qualquer atividade relacionada aos mísseis balísticos", segundo um comunicado do Ministério de Assuntos Exteriores.

A China, principal aliada da Coreia do Norte na região, não reagiu ainda de maneira oficial ao lançamento, mas espera-se que faça isso nas próximas horas. EFE ce-icr/an

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