Coreia do Norte lança mais mísseis após resolução da ONU

Cecilia Heesook Paek. Seul, 2 jul (EFE).- A Coreia do Norte lançou hoje dois mísseis de curto alcance a partir da costa leste do país, pela primeira vez desde a aprovação de uma nova resolução e sanções adicionais do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra o país.

EFE |

Um porta-voz do Ministério da Defesa sul-coreano confirmou hoje à Agência Efe que o primeiro projétil foi lançado às 17h20 local (5h20 de Brasília), enquanto o segundo foi disparado às 18h (6h de Brasília), ambos a partir de Sinsang-ni, perto da cidade litorânea de Wonsan, localizada no sudeste da Coreia do Norte.

Os mísseis percorreram uma distância de quase 100 quilômetros, por isso poderia ser uma versão melhorada de seu modelo Silkworm ou KN-01, usado como míssil terra-mar contra navios, informou o Governo sul-coreano.

Seul disse que estes dois projéteis têm um alcance máximo de entre 120 e 160 quilômetros.

Fontes do Governo sul-coreano citadas pela agência "Yonhap" não descartam a possibilidade de que o lançamento norte-coreano dirigido ao Mar do Leste (Mar do Japão) faça parte das manobras militares que Pyongyang anunciou na semana passada na mesma área.

Em 23 de junho, a Coreia do Norte avisou ao Japão que proibiria até 10 de julho a navegação de navios em uma área do Mar do Leste (Mar do Japão) próxima à cidade de Wonsan, porque tinha previsto realizar exercícios militares.

Este lançamento de mísseis é o primeiro desde que o Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs novas e mais duras sanções à Coreia do Norte devido ao segundo teste nuclear norte-coreano, realizado em 25 de maio.

Além disso, os disparos ocorreram poucas horas depois de Coreia do Norte e Coreia do Sul se sentarem para falar sobre o futuro do complexo industrial do qual ambos participam na cidade norte-coreana de Kaesong.

Após pouco mais de uma hora, as conversas terminaram pela quarta vez sem um acordo, em meio a acusações e tensões entre o Governo do presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, e o regime do líder norte-coreano, Kim Jong-il.

Os serviços de inteligência da Coreia do Sul já tinham informado no mês passado que o regime comunista estava se preparando para testar vários mísseis, incluindo de longo alcance.

Desde que, em 12 de junho, o Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) estendeu as sanções à Coreia do Norte com a resolução 1.874, que lhe proíbe o comércio de armas e permite revistar navios norte-coreanos suspeitos, Pyongyang aumentou suas ameaças de confronto.

O regime de Kim Jong-il afirmou, após a aprovação das novas sanções, que começaria a enriquecer urânio e a usar todo seu plutônio para a fabricação de armas nucleares, algo que a Coreia do Sul acredita que Pyongyang já começou a fazer.

O ministro porta-voz do Governo japonês, Takeo Kawamura, disse hoje, antes do lançamento, que o Japão não descartava a possibilidade de que a Coreia do Norte lançasse de forma iminente vários mísseis de curto e médio alcance por volta de 4 de julho, por causa do Dia da Independência dos Estados Unidos.

A Coreia do Norte foi especialmente crítica diante da possibilidade de que seus navios possam ser interceptados e revistados em alto-mar, em cumprimento à resolução 1.874, e afirmou que considerará estas ações como "atos de guerra".

De fato, um cargueiro norte-coreano foi seguido pela Marinha americana em águas do Oceano Índico, diante da possibilidade de que estivesse transportando material para a construção de armamento pesado ou armas nucleares.

Poucos dias depois, apesar de que se acreditava que o navio se dirigia a Mianmar, a tripulação decidiu mudar o rumo. EFE ce-jmr/an

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