Coreia do Norte lança foguete apesar de todas as pressões

Jairo Mejía. Seul, 5 abr (EFE).- A Coreia do Norte realizou hoje o previsto lançamento de um foguete de longo alcance, intensificando a tensão com os vizinhos Coreia do Sul e Japão, que consideram isso um ato de provocação que terá consequências.

EFE |

Os radares japoneses, sul-coreanos e russos confirmaram que o projétil foi lançado da base norte-coreana de Musudan-ri, no litoral nordeste do país, seguindo a trajetória prevista, e atravessou o Japão sem ser interceptado e sem causar danos.

A Rússia e a Coreia do Sul afirmaram que o míssil tinha um satélite, como tinha anunciado a Coreia do Norte.

Segundo a agência norte-coreana "KCNA", o lançamento ocorreu às 11h20 (23h20 de Brasília de ontem) - Japão e Coreia do Sul dizem que foi dez minutos depois - e durou 9 minutos e dois segundos, até que o foguete conseguiu colocar em trajetória orbital o satélite de comunicações Kwangmyongsong-2.

O Governo sul-coreano afirmou, em um primeiro momento, que achava que o foguete lançado por Pyongyang levaria um satélite, mas não pôde confirmar se chegou à órbita terrestre.

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, reuniu-se imediatamente com o Conselho de Segurança Nacional para responder à "provocação" norte-coreana, criticada por ser mais um passo no desenvolvimento de seu programa de mísseis de longo alcance.

O Japão, que estava em alerta desde ontem, quando começou a margem de cinco dias programada por Pyongyang para lançar o foguete, não interceptou o projétil, como tinha advertido.

Segundo Tóquio, o foguete cruzou o Japão, após ter se desacoplado de sua primeira fase no Mar do Leste (Mar do Japão) e foi detectado pela última vez no Oceano Pacífico a 2,1 mil quilômetros do litoral japonês, onde caiu a segunda fase.

A Coreia do Sul disse que o lançamento aconteceu 15 segundos depois das 11h30 (23h30 de Brasília de ontem) e, segundo os serviços secretos sul-coreanos, era um "veículo espacial", e não de um míssil militar, algo posteriormente confirmado pelo Ministério de Exteriores.

No entanto, a imprensa sul-coreana afirma que o desenvolvimento de foguetes da Coreia do Norte obteve um grande progresso, já que conseguiu superar o alcance de tentativas anteriores.

Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul criticaram o lançamento, já que ajudará o regime comunista no desenvolvimento de mísseis de longo alcance e, portanto, representa uma violação da resolução 1.718 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Com este objetivo, os três países se mostraram de acordo em convocar de maneira urgente o Conselho de Segurança da ONU, a pedido do Japão, para impor sanções ao regime norte-coreano por descumprir a resolução que o obriga a interromper seu desenvolvimento de mísseis balísticos.

Os três aliados também concordaram em qualificar de "provocação" o ato da Coreia do Norte, enquanto a China, principal aliado de Pyongyang, pediu "calma" na reação a este lançamento.

O ministro de Exteriores sul-coreano, Yu Myung-hwan, criticou duramente a prova, especialmente devido ao alto valor econômico que poderia ter sido destinado a atenuar a crise de fome e a pobreza do povo norte-coreano.

Segundo fontes governamentais citadas pela agência sul-coreana "Yonhap", o custo deste projeto espacial poderia ser de US$ 300 milhões e, se Pyongyang seguir adiante com seus projetos nucleares, o montante poderia multiplicar.

A Coreia do Norte, em comunicado oficial, afirmou que conta com o apoio de seus aliados para desenvolver seu programa espacial com fins pacíficos, e que é uma importante conquista científica para o país, quatro dias antes de Kim Jong-il assumir seu terceiro mandato.

O foguete lançado hoje é o Unha-2, um variante do míssil de longo alcance Taepodong-2, e, portanto, é considerado por Coreia do Sul, EUA e Japão como mais um passo no desenvolvimento armamentístico norte-coreano, o que poderia acarretar novas sanções ao regime de Pyongyang.

Apesar disso, a Coreia do Sul não cancelará os projetos de cooperação intercoreana previstos anteriormente, mas colocou todos seus efetivos militares em alerta máximo, especialmente perto da fronteira com a Coreia do Norte. EFE jmr/an

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