Coreia do Norte inicia rearmamento nuclear após condenação da ONU

Cecilia Heesook Paek. Seul, 25 abr (EFE).- A Coreia do Norte anunciou hoje que reiniciou o processo para extrair plutônio em sua principal usina nuclear, um dia depois de a ONU impor sanções pelo recente lançamento de um foguete de longo alcance.

EFE |

Segundo a agência estatal "KCNA", a Coreia do Norte assegurou hoje que voltou a processar barras de combustível nuclear na central de Yongbyon, ao norte da capital, em rejeição às "forças hostis".

Isso significa que o país comunista começou a extrair plutônio do combustível nuclear que armazena nesta usina.

O reator nuclear de Yongbyon estava inativo desde 2007, quando os seis membros do diálogo para a desnuclearização de Pyongyang (EUA, Rússia, Japão, China e as duas Coreias) chegaram a um acordo no qual o regime comunista se comprometeu a desmantelar essa usina nuclear em troca de ajudas econômicas e incentivos políticos.

Segundo informou hoje a "KCNA", a Coreia do Norte alegou que "contribuirá para impulsionar a dissuasão nuclear em defesa própria a fim de enfrentar as crescentes ameaças militares das forças hostis".

Assim, Pyongyang reinicia seu armamento nuclear menos de duas semanas após lançar sua ameaça e boicote às negociações de seis lados, depois da condenação do Conselho de Segurança da ONU ao país comunista por lançar um foguete de longo alcance no dia 5 de abril.

O Conselho de Segurança considerou o lançamento norte-coreano como um teste de seu programa de mísseis de longo alcance, e um descumprimento da resolução 1718 aprovada em 2006 após um teste nuclear do país comunista.

Ao mesmo tempo, a Coreia do Norte ordenou a expulsão dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e dos Estados Unidos que fiscalizavam seu processo de desmantelamento nuclear.

Ontem, um comitê do Conselho de Segurança da ONU decidiu impor sanções a três firmas vinculadas com o aparato militar da Coreia do Norte por sua suposta participação no recente lançamento do foguete de longo alcance.

O conselheiro da Representação Diplomática norte-coreana na ONU, Park Duk-hoon, já manifestou sua "rejeição total" a esta decisão do organismo internacional.

O diplomata norte-coreano alegou que a decisão da ONU é um desafio contra os tratados internacionais, já que o uso pacífico do espaço é um direito de todos os países.

A decisão de boicotar o diálogo nuclear parece firme, já que o país reiterou sua postura durante a visita do ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov, nesta quinta-feira, a Pyongyang.

Agora, cresce o temor de um novo teste nuclear realizado por Pyongyang, após o de outubro de 2006.

Um possível teste nuclear, junto à detenção há um mês de duas jornalistas norte-americanas que, segundo anunciou ontem Pyongyang, serão julgadas, poderia pressionar o Governo do americano Barack Obama, segundo especialistas sul-coreanos.

Estes analistas opinaram que o crescente desafio norte-coreano está destinado a pressionar os EUA a abrir negociações bilaterais entre Pyongyang e Washington, descartando a reunião de seis lados.

A escalada de tensão aberta na península coreana afeta ainda as relações das duas Coreias e deixou em aberto o futuro do complexo industrial conjunto de Kaesong, símbolo da reconciliação dos dois vizinhos. EFE ce/mh

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