Coreia do Norte fecha as portas a negociações sobre programa nuclear

Miguel F. Rovira.

EFE |

Phuket (Tailândia), 23 jul (EFE).- A Coreia do Norte fechou hoje as portas para novas negociações sobre o desmantelamento de seu programa nuclear, em resposta à atitude "hostil" dos Estados Unidos.

Esse anúncio foi feito pelo diretor-geral do departamento de organizações internacionais do Ministério de Exteriores e porta-voz da delegação norte-coreana, Ri Hung-sik, dentro de fórum asiático de segurança realizado na ilha tailandesa de Phuket.

"As conversas terminaram", disse Ri, em entrevista coletiva.

O funcionário norte-coreano qualificou de "disparate" a bateria de incentivos oferecidos pelos Estados Unidos e seus quatro parceiros nas negociações - China, Coreia do Sul, Japão e Rússia - em troca de colocar fim a seu programa nuclear, e que incluem a normalização das relações, assistência econômica e energética.

Os cerca de seis anos de conversas multilaterais com a Coreia do Norte entraram em colapso em 2008, depois que o regime de Pyongyang decidiu voltar atrás em seus compromissos e retomar o programa nuclear.

"Os Estados Unidos têm que abandonar sua política hostil imediatamente, então as conversas serão possíveis", acrescentou o funcionário norte-coreano, poucos minutos antes de a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, comparecer à imprensa e denunciar a "atitude provocadora" da Coreia do Norte.

"A Coreia do Norte não tem lugar para onde ir, não lhe restam amigos que possam protegê-la dos esforços da comunidade internacional para levá-la rumo a desnuclearização", disse Hillary.

Em uma ação destinada a aumentar o isolamento do regime de Pyongyang, os Estados Unidos aproveitaram o fórum para pedir à Junta Militar de Mianmar (antiga Birmânia) que cumpra com o máximo rigor a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Coreia do Norte, um país com o qual os generais birmaneses estreitaram a cooperação militar.

"Sabemos que a Coreia do Norte e Mianmar cooperaram no passado, vamos vigiar para não continue", disse a secretária americana.

Hillary, que lidera a delegação enviada à Tailândia, não participou hoje da reunião bilateral realizada sobre este assunto entre funcionários birmaneses e dos EUA.

A secretária americana advertiu há dois dias que a crescente cooperação militar entre os regimes da Coreia do Norte e de Mianmar pode se transformar em uma ameaça para a estabilidade do Sudeste Asiático.

Após o encerramento do fórum, que reuniu os chefes da diplomacia de 26 países e da União Europeia (UE), Hillary disse que a maioria de seus colegas transmitiu à delegação norte-coreana a desaprovação pelo programa nuclear de Pyongyang e expôs sua preocupação com a corrida armamentista que pode acarretar nos países da Ásia Oriental.

"Nossos parceiros na região entendem que as ambições nucleares da Coreia do Norte acarretaram consequências que foram além para a futura segurança do nordeste da Ásia. Isso é contra os interesses de qualquer nação", acrescentou Hillary.

A chefe da diplomacia americana disse que a delegação norte-coreana - liderada por um embaixador, diante da recusa de Pyongyang de enviar a Phuket seu ministro de Exteriores, Pak Ui-chun - expôs durante seu discurso a clara intenção de prosseguir com o programa nuclear.

Estados Unidos, China, Japão, Coreia do Sul e Rússia decidiram ontem que a única opção de Pyongyang é a "desnuclearização irreversível" e "completa".

Também definiram que a comunidade internacional adote uma postura firme e dura para conseguir que o regime norte-coreano abandone seu programa de armas atômicas, começando pelo reator de Yongbyon, e a entrega de todas as reservas de plutônio.

Pyongyang afirmou em abril que estava abandonando as negociações para sua desnuclearização, como protesto perante a condenação do Conselho de Segurança das Nações Unidas pelo lançamento de um foguete de longo alcance norte-coreano naquele mesmo mês, diante das suspeitas de que tenha sido o teste encoberto de um míssil.

O regime norte-coreano realizou também seu segundo teste nuclear em maio, após o qual realizou também vários lançamentos de prova de mísseis de curto alcance em direção ao Mar do Leste (Mar do Japão), o que acarretou novas e mais firmes sanções por parte do Conselho de Segurança da ONU. EFE mfr/an

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