Coreia do Norte faz duras ameaças e volta a elevar tensão

Cecilia Heesook Paek. Seul, 14 abr (EFE).- A Coreia do Norte ameaçou hoje retomar seu programa nuclear e boicotar o diálogo internacional sobre a questão, em andamento desde 2003, após a condenação do Conselho de Segurança da ONU ao recente lançamento de um foguete de longo alcance feito por Pyongyang.

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Em comunicado, a Chancelaria norte-coreana assegurou hoje que "não participará nunca mais" da reunião para sua desnuclearização, junto a Coreia do Sul, Estados Unidos, China, Rússia e Japão, e que não se sentirá "obrigada por nenhum acordo alcançado nas conversas".

Na prática, isso implica que o regime comunista reabrirá o reator de Yongbyon, em processo de desmantelamento, e que voltará a processar barras de combustível atômico para reforçar seu "poder dissuasivo nuclear", como disse Pyongyang.

Pyongyang afirmou que pretende construir um reator de água leve para fornecer energia nuclear e que seguirá com seu "direito soberano" ao uso pacífico do espaço baseado no direito internacional, contra "a tirania" da ONU.

Nesta segunda-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou a Coreia do Norte pelo lançamento de um foguete de longo alcance no último dia 5 e exigiu que não repita ações do tipo, que os EUA consideram uma prova do programa de Pyongyang de mísseis balísticos.

A declaração do Conselho de Segurança foi aplaudida por Japão, EUA e Coreia do Sul, mas recebeu forte censura do regime comunista, por considerar que a atitude viola sua soberania.

"O espírito do respeito à soberania" é "a base e a chave da reunião" sobre a questão nuclear, ressaltou a Coreia do Norte, que frisou que, por isso, a existência desse diálogo se extinguiu "de forma irreversível" com a decisão do Conselho de Segurança.

O processo das conversas destinadas à desnuclearização norte-coreana em troca de incentivos econômicos está estagnado desde dezembro, após o fracasso sobre o estabelecimento de um mecanismo de verificação para o programa nuclear da Coreia do Norte.

A Coreia do Norte já tinha advertido que abandonaria essas negociações caso a ONU adotasse qualquer decisão de condenação ao lançamento do foguete, que, como assegura, só tinha a intenção de colocar em órbita um satélite de telecomunicações.

Apesar das advertências internacionais, no domingo 5 de abril o regime comunista lançou um foguete em três fases que, segundo assegura, pôs em órbita um satélite, embora Coreia do Sul e EUA afirmem que o teste falhou e uma bomba caiu no mar a cerca de 3 mil quilômetros de sua base.

Em 2006, a Coreia do Norte lançou vários mísseis em julho, o que lhe causou uma condenação da ONU. Em outubro realizou um teste nuclear que levou a uma nova resolução das Nações Unidas, a 1718.

Essa resolução exige à Coreia do Norte a suspensão dos testes nucleares e das atividades relacionadas com seu programa de mísseis balísticos. Ontem, o Conselho de Segurança estimou que o lançamento norte-coreano representava uma "contravenção" do texto 1718.

O Governo da Coreia do Sul manifestou hoje seu apoio à condenação do Conselho de Segurança e exigiu a Pyongyang que não aumente a tensão na região, enquanto o Japão pediu o retorno às negociações e se disse satisfeito com a decisão "clara" da ONU.

Em resposta ao lançamento norte-coreano, a Coreia do Sul deve anunciar esta semana sua participação plena na iniciativa de segurança contra a proliferação de armas de destruição em massa (PSI), iniciada em 2003.

A Coreia do Sul participa desde 2005 parcialmente da PSI, só como país observador, como forma de não provocar o regime comunista do Norte. EFE ce/rr

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