Coreia do Norte expulsa inspetores nucleares da ONU

Por Jon Herskovitz SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte ordenou na terça-feira que os inspetores da ONU deixem o país, e anunciou também sua decisão de abandonar as negociações multinacionais para o seu desarmamento nuclear e de retomar as atividades de uma fábrica de plutônio enriquecido, segundo a Organização das Nações Unidas.

Reuters |

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, criticou fortemente as expulsões e disse esperar que Washington e seus aliados possam discuti-las com Pyongyang.

A Coreia do Norte diz estar reagindo a uma declaração de segunda-feira do Conselho de Segurança da ONU, que criticou o regime comunista por ter lançado um foguete que aparentemente contraria uma proibição em vigor desde 2006.

"Estamos vendo isso como uma resposta desnecessária a uma declaração legítima colocada pela preocupação do Conselho de Segurança", disse Hillary a jornalistas em Washington.

"Obviamente esperamos que haja uma oportunidade para discutir isso não só com os nossos parceiros e aliados, mas eventualmente com os norte-coreanos", acrescentou Hillary.

A Coreia do Norte disse em nota que a declaração da ONU viola sua soberania, a exemplo das negociações de desarmamento que envolvem também EUA, China, Rússia, Japão e Coreia do Sul.

No texto divulgado pela agência estatal de notícias KCNA, o regime afirma que "não participará mais das conversas nem (...) se limitará por qualquer acordo", e que irá "reforçar sua dissuasão nuclear para autodefesa de todas as maneiras".

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU) disse que Pyongyang determinou que todos os inspetores da ONU na usina de Yongbyon deixem o recluso país. A Coreia do Norte havia começado a desativar o reator dessa usina há um ano, como parte das negociações multinacionais.

Acostumados à retórica agressiva de Pyongyang, os mercados financeiros de Tóquio e Seul não se abalaram com a notícia.

Os EUA e seus aliados asiáticos consideram que o lançamento do foguete -- oficialmente para colocar um satélite em órbita -- na verdade é um teste disfarçado de um míssil de longo alcance. China e Rússia, no entanto, resistiram à adoção de novas sanções contra o país, e analistas dizem que tal divisão da comunidade internacional pode fortalecer o regime de Kim Jong-il.

(Reportagem adicional de Chris Buckley e Lucy Hornby em Pequim; Sue Pleming em Washington; Yoo Choonsik, Kim Junghyun e Rhee So-eui em Seul; Linda Sieg em Tóquio)

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