Coreia do Norte expressa intenção de se reaproximar dos sul-coreanos

Seul, 23 ago (EFE).- O chefe de Estado da Coreia do Norte, Kim Jong-il, manifestou hoje, em mensagem ao presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, o desejo de melhorar as relações entre ambos os países, após meses de tensões.

EFE |

O desejo de reaproximação foi transmitido pela delegação que Kim Jong-il enviou a Seul por ocasião do funeral do ex-líder sul-coreano Kim Dae-jung, símbolo da reconciliação entre as duas Coreias.

A mensagem do líder comunista foi entregue num encontro de 30 minutos, o primeiro de Lee com representantes norte-coreanos desde que chegou à Presidência, há 18 meses, período no qual optou pela linha-dura nas relações com Pyongyang.

Segundo a agência sul-coreana "Yonhap", o porta-voz de Myung-bak disse que os enviados de Kim Jong-il externaram a vontade deste de que "a cooperação entre as duas Coreias melhore".

"Tudo caminhou muito bem. Voltamos animados", disse antes de embarcar de volta a Pyongyang o secretário do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores e chefe da missão norte-coreana, Kim Ki-nam.

Por sua vez, o presidente sul-coreano, além de expor a "firme e coerente" política de seu Governo para a Coreia do Norte, a partir da qual busca a desnuclearização do regime comunista, pediu a retomada do diálogo entre os dois países.

Lee, que afirmou não existir nenhuma questão que não possa ser solucionada quando as partes interessadas conversam com sinceridade, pediu à delegação do país vizinho que entregasse esta mensagem a Kim Jong-il.

Ao todo, três dos seis membros da missão norte-coreana enviada a Seul se reuniram com o presidente sul-coreano. A conversa aconteceu na residência oficial de Lee, em meio a um ambiente "muito sério e discreto", segundo o porta-voz do chefe de Estado.

Antes desse encontro, o ministro sul-coreano da Unificação, Hyun In-taek, protagonizou ontem o primeiro diálogo de alto nível travado com representantes norte-coreanos em dois anos. Foi nele que os enviados de Kim Jong-il pediram a reunião com Lee.

As conversas dos últimos dias entre ambos os países, inimigos desde o fim da Guerra da Coreia (1950-1953), aconteceram após meses de intensos atritos.

"Podemos dizer que foi uma mudança paradigmática" nas relações entre as duas nações, disse um porta-voz da Casa Presidencial sul-coreana.

O lançamento, em abril, de um foguete de longo alcance por parte de Pyongyang e o segundo teste nuclear subterrâneo do regime comunista, realizado em maio, fez a tensão entre os países vizinhos atingir seu maior patamar em quase uma década.

Além disso, pouco após a posse de Lee, Pyongyang chamou-o de traidor e pró-americano, acusou-o de alimentar o confronto entre as duas Coreias e ameaçou "reduzir" a Coreia do Sul "a cinzas".

No entanto, recentemente, o regime de Kim Jong-il recuou e acenou à comunidade internacional com medidas de reaproximação, direcionadas, sobretudo, aos Estados Unidos, máximo aliado do Governo sul-coreano.

A morte na última terça-feira do ex-presidente da Coreia do Sul Kim Dae-jung acabou catalisando a mudança de postura da Coreia do Norte.

Os seis enviados norte-coreanos, que chegaram sexta-feira a Seul, deveriam ter voltado a Pyongyang no sábado. Porém, por conta dos contatos iniciados, o retorno foi adiado para hoje. EFE jmr/sc

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