Coréia do Norte é assunto central em reunião de ministros do G8 no Japão

Isabel Conde Kioto (Japão), 26 jun (EFE).- Os ministros de Relações Exteriores do G8 iniciaram hoje uma reunião de dois dias em Kioto (centro do Japão) marcada pelo anúncio da esperada entrega pela Coréia do Norte de seu arsenal nuclear.

EFE |

Pouco após começar seu encontro na localidade japonesa, os representantes de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Rússia e Japão tomaram ciência do anúncio oficial de que a Coréia do Norte apresentou à China a declaração de entrega, que estava pendente desde o final de 2007.

Três dos oito ministros presentes em Kioto - de Japão, EUA e Rússia - fazem parte das negociações de seis lados para a desnuclearização norte-coreana. Por este motivo, a Coréia do Norte se transforma a partir de hoje na questão central da cúpula.

A reunião de Kioto será concluída amanhã, quando emissoras americanas devem transmitir ao vivo a destruição de uma torre de esfriamento do complexo nuclear norte-coreano de Yongbyon, como símbolo do princípio do fim do programa nuclear do país comunista.

Para comprovar a realidade do processo, o diretor do Departamento para as Coréias dos EUA, Sung Kim, chegou hoje a Pyongyang para presenciar na próxima sexta a destruição da torre, segundo informações dadas por ele mesmo à agência japonesa "Kyodo".

Os países presentes à cúpula de Kioto, especialmente os EUA, afirmaram que o processo de desnuclearização do regime stalinista deve ser comprovado e verificado para que não haja espaço para dúvidas.

Desta forma, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, insistiu esta manhã na sua chegada a Kioto que é importante que a desnuclearização da Coréia do Norte seja "verificável" e que seu país trabalhará para que isto se torne possível.

Já o ministro de Relações Exteriores do Japão, Masahiko Komura, concordou hoje com seu colega britânico, David Miliband, em vigiar de perto o processo de desnuclearização da Coréia do Norte, durante uma reunião bilateral realizada antes do início da cúpula.

Miliband afirmou que hoje é um "dia importante" para a não-proliferação, horas antes de o estoque nuclear da Coréia do Norte ser entregue à China.

Além de assegurar que a desnuclearização está em andamento, o Japão quer conseguir o maior apoio possível dos países industrializados para que a questão dos seqüestros de cidadãos japoneses por Pyongyang nos anos 70 seja resolvida, para que as relações com o regime comunista sejam normalizadas.

Neste sentido, o ministro japonês manteve várias reuniões bilaterais antes do início da cúpula, destinadas todas elas a pressionar em favor da postura japonesa, uma das mais duras nas negociações de seis lados (Coréia do Norte e do Sul, China, Rússia, Japão e EUA).

Os chefes das diplomacias do G8 querem enviar nesta reunião uma "mensagem contundente" sobre a Coréia do Norte e o Afeganistão, segundo fontes oficiais japonesas.

Komura disse que durante a cúpula do G8 espera que todos enviem uma mensagem contundente sobre o fortalecimento da não-proliferação (de armas nucleares). Serão incluídas ainda as questões da Coréia do Norte e do Irã.

O segundo turno das eleições no Zimbábue ocupará também parte das conversas dos ministros, que planejam incluir esta questão no comunicado conjunto que divulgarão amanhã, o dia para o qual foram marcados pleitos presidenciais.

Na última segunda, o Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou a campanha de violência criada contra a oposição zimbabuana e advertiu que estas ações impedem a realização de eleições presidenciais "livres e justas". EFE icr/fh/fal

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