Coreia do Norte é 'ameaça contínua', diz Obama

Incidente foi considerado um dos mais graves na Península Coreana desde a Guerra da Coreia, nos anos 1950

BBC Brasil |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou a Coreia do Norte de uma “ameaça contínua que tem de ser enfrentada” e disse que vai discutir com Seul a resposta apropriada para o ataque militar perpetrado por norte-coreanos contra uma ilha da Coreia do Sul.

Em uma troca de disparos de artilharia que durou cerca de uma hora nesta terça-feira, a ilha sul-coreana de Yeonpyeong foi alvejada, e dois soldados morreram. Outras 50 pessoas, tanto civis como militares, ficaram feridas. Muitas construções foram incendiadas.

Em entrevista à rede americana ABC, na noite desta terça, Obama não quis especular sobre eventual ação militar americana contra o regime de Pyongyang. E disse que cabe à China dizer à Coreia do Norte – sua aliada – que “há leis internacionais que eles (norte-coreanos) devem obedecer”.

Os EUA possuem 28 mil soldados na Coreia do Sul. Os ministros da Defesa americano e sul-coreano acordaram que qualquer resposta ao ataque será coordenada entre ambos.

E Obama disse que buscará apoio na comunidade internacional para fazer pressão sobre o recluso regime norte-coreano, dono de um programa nuclear que preocupa o Ocidente.

“Este (o ataque à ilha sul-coreana) é mais um incidente provocativo de uma série que vimos nos últimos meses. Falarei com o presidente da Coreia do Sul (Lee Myung-bak) nesta noite (de terça) sobre termos de uma resposta apropriada”, declarou o americano.

Acusações

Seul disse que os disparos do Norte começaram a atingir a ilha, próxima à disputada fronteira marítima entre os dois países, na tarde desta terça (hora local, madrugada no Brasil) e que suas Forças Armadas estão trabalhando no nível de alerta mais alto fora de um período de guerra.

O governo sul-coreano afirmou ter dado ordens a seus militares para retaliar com mísseis o que chamou de “mais provocações”.

as a Coreia do Norte disse que soldados do Sul, que realizam exercícios militares na área, atiraram primeiro e que não toleraria qualquer invasão de seu território.

"O inimigo sul-coreano, apesar de nossos repetidos alertas, cometeu diversas provocações militares, disparando tiros de artilharia contra nosso território marítimo próximo à ilha de Yeonpyeong a partir das 13h locais (2h no horário de Brasília)", disse à agência de notícias estatal norte-coreana KCNA o comando militar do país.

A Coreia do Norte "vai continuar a realizar ataques militares impiedosos sem hesitação se o inimigo sul-coreano ousar invadir 0,001 milímetro de nosso território", alertou, sem informar se houve feridos ou mortos do lado norte-coreano.

Tensão

A troca de disparos acontece em um momento de crescente tensão regional, já que no sábado a Coreia do Norte revelou o que seria uma nova usina de enriquecimento de urânio, dando ao país mais um caminho para a possível fabricação de uma bomba nuclear.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou a Coreia do Norte pelo ataque e pediu moderação a ambos os lados.

A Rússia pediu calma depois do incidente, enquanto um porta-voz do Ministério do Exterior chinês disse que as duas Coreias deveriam "fazer mais para contribuir para a paz".

"O mais importante agora é retomar as negociações do Grupo dos Seis (Estados Unidos, Japão, China, Rússia e as duas Coreias) o quanto antes", disse Hong Lei.

Na tarde de terça-feira, o Itamaraty emitiu nota declarando "preocupação" com o incidente e "conclamando ambas as partes a se absterem de medidas que possam agravar a tensão" bilateral.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, disse ter ordenado que seus ministros se preparem para qualquer eventualidade.

O analista da BBC Jonathan Marcus disse que o ataque seria uma forma de a Coreia do Norte mostrar ao mundo seu poder e uma indicação de algum tipo de transição política.

Nos últimos dois meses, Kim Jong-un, filho do líder norte-coreano Kim Jong-il, foi promovido a general de quatro estrelas e nomeado para cargos de liderança no Partido Comunista durante a primeira convenção do partido em 30 anos.

Analistas acreditam que estes sejam sinais de que ele está sendo preparado para suceder o pai.




    Leia tudo sobre: Coreia do NorteCoreia do SulataquesObama

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG