Coreia do Norte descarta mudanças políticas com novo líder

No primeiro comunicado após os 13 dias de luto por Kim Jong-il, Pyongyang também rejeita diálogo com atual governo de Seul

iG São Paulo |

AP
Selo mostra Kim Jong-il (D), morto em 17 de dezembro, ao lado de seu sucessor, Kim Jonn-un. No topo, lê-se: 'O grande líder camarada Kim Jong-il estará sempre conosco'
A Coreia do Norte declarou nesta sexta-feira ao mundo que não mudará de política após a morte de Kim Jong-il nem iniciará um diálogo com o atual governo da Coreia do Sul. A declaração foi feita um dia depois de Kim Jong-un , terceiro filho do ditador morto no dia 17 aos 69 anos, ter sido  proclamado "líder supremo do partido, do Exército e do povo " em uma grande cerimônia militar organizada em Pyongyang.

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"Declaramos de forma solene e com orgulho aos dirigentes políticos estúpidos do mundo, entre eles os fantoches da Coreia do Sul, que não esperem a mínima mudança de nossa parte", afirmou um comunicado da Comissão de Defesa Nacional divulgado pela agência oficial KCNA.

Pyongyang também descartou qualquer possibilidade de discussão com o atual governo sul-coreano. "Como já dissemos, continuamos nos recusando a estabelecer vínculos com o traidor Lee Myung-bak e seu grupo", disse o texto da Comissão de Defesa Nacional, considerada a estrutura mais poderosa do país de 1,1 milhão de soldados, em um texto ofensivo ao presidente sul-coreano.

A Coreia do Norte e a Coreia do Sul ainda estão tecnicamente em guerra depois que o conflito entre as duas, entre 1950 e 1953, terminou em armistício em vez de um tratado de paz.

Esse é o primeiro comunicado emitido pela Coreia do Norte após os 13 dias de luto pelo "Querido Líder", que terminaram na quinta-feira com a cerimônia militar que reuniu milhares de soldados e civis norte-coreanos na Praça Kim Il-sung, de 75 mil metros quadrados, em Pyongyang. A praça tem mesmo nome do pai de Kim Jong-il, que governou o país desde sua fundação, em 1948, até sua morte, em 1994, quando foi sucedido pelo filho.

Os discursos dos líderes do regime durante o evento mostraram que o sucessor conta com total apoio das Forças Armadas e seu governo seguirá a linha do regime anterior.

"O mundo deve entender que milhões de soldados e nossos cidadãos, unidos com firmeza ao redor de nosso líder querido Kim Jong-un para transformar o sofrimento em valor e as lágrimas em força, conseguirão a vitória final", afirmou o comunicado.

O Norte prometeu também que fará Seul pagar os "pecados" cometidos por ocasião da morte de Kim Jong-il. "Faremos pagar até a eternidade o traidor Lee Myung-bak e seu grupo pelos pecados imperdoáveis que cometeram por ocasião do funeral nacional de Kim Jong-il", disse a nota, sem especificar quais serão as represálias.

Na televisão, as declarações foram repetidas por dez minutos por um apresentador. O Norte critica o Sul por ter proibido as visitas de condolências a Pyongyang. Apenas duas delegações sul-coreanas foram autorizadas a cruzar a fronteira antes do funeral de Kim Jong-il para prestar condolências.

Elas foram lideradas pela viúva do ex-presidente sul-coreano Kim Dae-jung , que celebrou com Kim Jong-il a primeira reunião entre as duas Coreias da história em 2000, e pela presidente do grupo Hyundai. Pyongyang também está irritada com o lançamento de panfletos - por 50 ativistas - que convocam a insurreição contra a dinastia Kim.

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Apesar dos pedidos ocidentais para que a Coreia do Norte siga o exemplo de Mianmar e anuncie reformas políticas e econômicas, o novo dirigente parece que, pelo menos a princípio, seguirá a doutrina familiar da única dinastia comunista do mundo.

O filho mais novo de Kim Jong-il, com menos de 30 anos, não tem experiência de Estado e herda um país com a economia devastada e com dificuldades para alimentar a população. Nos primeiros anos, ele pode ser tutelado pela velha guarda que cercava seu pai, sobretudo por Jang Song-thaek, marido de sua tia.

Os primeiros passos de Kim Jong-un serão observados com muita atenção pela comunidade internacional. País com armamento nuclear, a Coreia do Norte representa um desafio considerável para a diplomacia regional da China - sua única aliada de peso - e para o governo dos EUA.

*Com EFE e AFP

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