Coréia do Norte diz que fechará fronteira com Coréia do Sul

Por Jonathan Thatcher SEUL, Coréia do Sul (Reuters) - A isolada Coréia do Norte afirmou na quarta-feira que fechará sua fronteira terrestre com a Coréia do Sul no próximo mês, paralisando assim as poucas trocas realizadas atualmente entre esses dois Estados, divididos desde a Guerra da Coréia.

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A medida seria adotada em meio à indignação do governo norte-coreano com a postura linha-dura adotada pelo governo conservador sul-coreano a respeito do programa de armas nucleares do vizinho.

A Coréia do Norte acusou a Coréia do Sul de levar a confrontação para "além do nível de perigo".

O pequeno tráfego existente nessa fronteira intensamente vigiada é resultado de acordos firmados nos últimos dez anos com governos esquerdistas sul-coreanos.

As relações entre os dois países começaram a ficar cada vez mais difíceis a partir de fevereiro, quando o presidente conservador Lee Myung-bak assumiu o poder prometendo ser duro com a Coréia do Norte e, ao mesmo tempo, oferecendo uma grande ajuda econômica no caso de o Estado vizinho mudar de postura.

No mês passado, a Coréia do Norte ameaçou reduzir a Coréia do Sul a um monte de destroços se este país não impedisse grupos ativistas de enviarem panfletos antigoverno para dentro do Estado comunista.

Analistas afirmam que a recente enxurrada de panfletos do tipo deixou indignado o governo norte-coreano.

"Os panfletos penetram cada vez mais profundamente no país e isso gera preocupação na Coréia do Norte, especialmente porque ocorre no momento em que há especulações sobre a saúde de Kim Jong-il (líder norte-coreano)", afirmou um membro do governo sul-coreano.

Houve vários relatos sobre a possibilidade de Kim, que comanda a primeira dinastia comunista do mundo, ter sofrido um grave derrame. A Coréia do Norte, porém, insiste que o estado de saúde do dirigente é bom e que ele continua no comando do país.

O governo norte-coreano afirma que os acordos selados ao longo dos últimos dez anos estão sendo colocados em risco desde a posse de Lee. A agência de notícias KCNA, da Coréia do Norte, disse que o fechamento da fronteira passaria a vigorar a partir do dia 1o de dezembro.

"As autoridades marionetes da Coréia do Sul não deveriam se esquecer nunca de que as relações atuais entre as duas Coréias encontram-se em um momento crucial a partir do qual continuarão a existir ou deixarão de existir", afirmou a KCNA.

Uma autoridade do Ministério da Unificação da Coréia do Sul disse que o órgão lamentava a manobra, mas que ela respeitava os acordos selados entre os dois países. Essa autoridade defendeu a realização de um diálogo a fim de resolver a questão.

"Nós manifestamos nosso pesar em vista da decisão do Norte e se o Norte adotar essas medidas, isso afetaria de forma negativa os esforços feitos até agora para melhorar as relações entre as Coréias", disse.

(Reportagem adicional de Seo Eun-kyung, Kim Jung-hyun e Jon Herskovitz)

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